USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Homem de 45 anos, sem comorbidades prévias, queixa-se de lombalgia de início súbito com irradiação para membro inferior direito há 2 dias, iniciado após levantar armário em casa para limpeza. Utilizou paracetamol por conta própria, com melhora parcial. Ao exame físico não apresenta alterações a não ser por dor no membro citado, principalmente quando elevado em posição reta acima de 40 graus. Realizou o exame de ressonância magnética em anexo.Qual o tratamento mais indicado para este paciente?
Lombalgia aguda com radiculopatia sem déficit neurológico → Tratamento conservador inicial (analgesia).
A maioria dos casos de lombalgia aguda com irradiação para membro inferior, mesmo com evidência de hérnia de disco, responde bem ao tratamento conservador (analgesia, repouso relativo) nas primeiras semanas, sem necessidade de intervenção cirúrgica imediata, a menos que haja sinais de alarme.
A hérnia de disco lombar é uma causa comum de lombalgia com irradiação para o membro inferior (ciatalgia), frequentemente precipitada por esforços físicos ou levantamento de peso. Caracteriza-se pela protrusão ou extrusão do material do disco intervertebral, que pode comprimir as raízes nervosas adjacentes, causando dor, parestesia e, em casos mais graves, déficit motor. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico (como o teste de Lasègue positivo), e pode ser confirmado por exames de imagem como a ressonância magnética. No entanto, a presença de hérnia de disco na imagem não é sinônimo de necessidade de cirurgia, pois muitas são assintomáticas ou respondem ao tratamento conservador. Para a maioria dos pacientes com dor radicular aguda sem sinais de alarme (déficit neurológico progressivo, síndrome da cauda equina), o tratamento inicial é conservador. Este inclui analgesia (anti-inflamatórios, relaxantes musculares, analgésicos), repouso relativo, modificação de atividades e fisioterapia. A melhora espontânea é comum em 4 a 6 semanas. A cirurgia (microdiscectomia) é reservada para casos refratários ou com déficits neurológicos significativos.
Sinais de alarme incluem déficit neurológico progressivo (fraqueza motora), síndrome da cauda equina (disfunção esfincteriana, anestesia em sela), dor intratável refratária ao tratamento conservador e infecção ou tumor.
O teste de Lasègue é positivo quando a elevação passiva da perna esticada entre 30 e 70 graus reproduz a dor radicular no membro inferior, sugerindo compressão da raiz nervosa, tipicamente por hérnia de disco.
O tratamento conservador, que inclui analgesia, repouso relativo, fisioterapia e educação do paciente, é eficaz porque a maioria das hérnias de disco regride espontaneamente e os sintomas melhoram em semanas, sem a necessidade de cirurgia.
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