UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
A maioria dos casos de hérnias de disco é assintomática. Em relação ao tratamento dos casos sintomáticos, a maioria (entre 75-90%) melhora com tratamento:
Hérnia de disco → 75-90% melhoram com tratamento clínico em até 3 meses.
A maioria das hérnias discais sintomáticas apresenta uma evolução favorável com manejo conservador, ocorrendo reabsorção do fragmento ou redução do processo inflamatório local em até 12 semanas.
A hérnia de disco é uma das causas mais comuns de dor lombar irradiada (ciatalgia). A fisiopatologia envolve tanto a compressão mecânica da raiz nervosa quanto a liberação de mediadores inflamatórios (como TNF-alfa) pelo núcleo pulposo. Estudos epidemiológicos demonstram que a prevalência de hérnias assintomáticas em exames de imagem é alta, o que reforça a necessidade de correlação clínica rigorosa. O tratamento padrão-ouro inicial para casos sem sinais de alarme é o conservador. As evidências mostram que, em longo prazo (1 a 2 anos), os desfechos de dor e funcionalidade entre pacientes operados e tratados clinicamente tendem a se igualar. Portanto, a cirurgia (geralmente microdiscectomia) é reservada para casos refratários ou urgências neurológicas, visando principalmente a aceleração do alívio da dor.
As indicações absolutas para intervenção cirúrgica imediata na hérnia de disco lombar incluem a Síndrome da Cauda Equina (caracterizada por anestesia em sela, disfunção esfincteriana vesical ou anal e fraqueza progressiva dos membros inferiores) e a presença de déficit motor grave ou progressivo. Na ausência desses sinais de alarme, a conduta inicial deve ser sempre conservadora, baseada em analgesia, fisioterapia e modificação de atividades, uma vez que a história natural da doença mostra que a maioria dos fragmentos herniados tende a sofrer desidratação e reabsorção pelo organismo ao longo de 8 a 12 semanas, aliviando a compressão mecânica e a irritação química das raízes nervosas.
O consenso na literatura ortopédica e neurocirúrgica sugere que o tratamento clínico deve ser mantido por um período mínimo de 6 a 12 semanas antes de ser considerado falha terapêutica, desde que o paciente não apresente piora neurológica. Durante esse período, utiliza-se uma combinação de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), analgésicos, relaxantes musculares e, em alguns casos, corticoides ou gabapentinoides para controle da dor neuropática. A fisioterapia desempenha papel crucial na reabilitação funcional. A maioria dos pacientes experimenta uma melhora significativa da dor radicular e motora dentro deste intervalo, evitando os riscos inerentes a um procedimento cirúrgico de coluna.
A melhora espontânea da hérnia de disco ocorre por dois mecanismos principais: a redução da inflamação local e a reabsorção do material discal. O núcleo pulposo, ao extravasar, desencadeia uma resposta inflamatória intensa que sensibiliza a raiz nervosa; com o tempo, essa inflamação regride. Além disso, o fragmento herniado, por ser composto majoritariamente de água e proteoglicanos, sofre um processo de desidratação e retração. Macrófagos e outras células de defesa também podem fagocitar o material extruso, especialmente em hérnias sequestradas ou extrusas, onde o contato com o suprimento vascular epidural é maior, facilitando a redução volumétrica da compressão sobre o saco tecal e as raízes.
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