IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2024
Mulher, 50 anos de idade, refere dispneia progressiva aos esforços, associada a sensação de saciedade precoce pós-prandial há cinco meses. Nega comorbidades prévias. Relata internação hospitalar há trinta anos por ferimento por arma branca em hemitórax esquerdo durante tentativa de assalto, com necessidade de drenagem torácica na ocasião. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, normocorada, eupneica. O exame pulmonar apresenta expansibilidade e ausculta diminuídas à esquerda, com presença de cicatriz de 2cm em sétimo espaço intercostal esquerdo em linha hemiclavicular. Os exames cardíaco e abdominal estão normais. Realizou TC de tórax e abdome, disponíveis a seguir:Qual é o diagnóstico dessa paciente?
História de trauma torácico penetrante + dispneia/sintomas GI tardios + TC com vísceras abdominais no tórax → Hérnia diafragmática traumática.
A paciente apresenta história de trauma torácico penetrante prévio, dispneia e sintomas gastrointestinais (saciedade precoce), que são achados clássicos de hérnia diafragmática traumática. Nesta condição, vísceras abdominais se deslocam para o tórax, causando compressão pulmonar e sintomas digestivos. A TC de tórax e abdome confirmaria a presença de órgãos abdominais na cavidade torácica.
A hérnia diafragmática traumática é uma condição incomum, mas potencialmente grave, que resulta da ruptura do diafragma após um trauma contuso ou penetrante no tórax ou abdome. Embora possa ser diagnosticada agudamente, frequentemente se manifesta de forma crônica, anos após o evento inicial, quando as vísceras abdominais herniadas começam a causar sintomas. É mais comum no hemidiafragma esquerdo devido à proteção do fígado à direita. Os sintomas da hérnia diafragmática traumática crônica são variados e podem incluir dispneia progressiva (pela compressão pulmonar), dor torácica, e uma gama de sintomas gastrointestinais, como saciedade precoce, dor pós-prandial, náuseas e vômitos, decorrentes do encarceramento ou estrangulamento das vísceras herniadas. A história de trauma torácico prévio é um dado anamnéstico fundamental para a suspeita diagnóstica. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem. A radiografia de tórax pode mostrar elevação do hemidiafragma, bolhas gasosas no tórax ou desvio do mediastino. No entanto, a Tomografia Computadorizada (TC) de tórax e abdome é o exame de escolha, pois demonstra claramente a descontinuidade diafragmática e a presença de órgãos abdominais na cavidade torácica. O tratamento é cirúrgico, visando a redução das vísceras e o reparo do diafragma para prevenir complicações como encarceramento e estrangulamento.
Os sintomas podem ser agudos ou crônicos. Cronicamente, como no caso, incluem dispneia progressiva (devido à compressão pulmonar), dor torácica, e sintomas gastrointestinais como saciedade precoce, dor epigástrica, náuseas e vômitos, resultantes do deslocamento de vísceras abdominais para o tórax.
A história de trauma torácico, especialmente penetrante (como ferimento por arma branca), é crucial, pois a hérnia diafragmática traumática pode se manifestar anos após o evento inicial, devido à fraqueza progressiva da musculatura diafragmática na área da lesão, levando a sintomas tardios.
A TC de tórax e abdome revelaria a presença de órgãos abdominais (como estômago, intestino, baço ou fígado) herniados para a cavidade torácica, com desvio do mediastino e compressão do pulmão ipsilateral, além de descontinuidade do diafragma, confirmando o diagnóstico.
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