Hérnia Diafragmática Traumática: Qual a Melhor Via Cirúrgica?

HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2015

Enunciado

Homem, 32 anos, vítima de queda de 12 metros, chega ao pronto socorro e na avaliação inicial apresenta: PA=100/60 mmHg, FC=96 bpm, FR=38 ipm, Glasgow=7. É realizada sedação, intubação orotraqueal, ventilação mecânica e há dificuldade em manter-se uma boa saturação de oxigênio. Pulmões com murmúrio vesicular bastante diminuído à esquerda com ausculta nítida de ruídos hidroaéreos no tórax. Abdome está plano e flácido. A radiografia de tórax mostra hérnia diafragmática volumosa à esquerda. O serviço hospitalar não dispõe de equipamento para videocirurgia. É indicado tratamento operatório e quanto à via de acesso cirúrgica inicial:

Alternativas

  1. A) Deve ser por toracotomia esquerda.
  2. B) Deve ser por laparotomia. 
  3. C) Pode ser por laparotomia ou por toracotomia esquerda.
  4. D) Deve ser por toracofrenolaparotomia esquerda.
  5. E) Pode ser por bitoracotomia.

Pérola Clínica

Hérnia diafragmática traumática aguda → Laparotomia é via preferencial para redução e reparo, especialmente com lesões abdominais associadas.

Resumo-Chave

Em casos de hérnia diafragmática traumática aguda, a laparotomia é a via de acesso cirúrgica inicial preferencial. Ela permite uma melhor avaliação e reparo das lesões abdominais frequentemente associadas, além de facilitar a redução do conteúdo herniado.

Contexto Educacional

A hérnia diafragmática traumática (HDT) é uma condição grave, frequentemente resultante de traumas de alta energia, como quedas de altura ou acidentes automobilísticos. A ruptura do diafragma permite a herniação de órgãos abdominais para a cavidade torácica, levando a comprometimento respiratório e hemodinâmico. O diagnóstico precoce e a intervenção cirúrgica são cruciais para evitar complicações como estrangulamento de vísceras e insuficiência respiratória progressiva. A apresentação clínica da HDT pode variar, mas frequentemente inclui dispneia, dor torácica e abdominal, e sinais de choque. A ausculta de ruídos hidroaéreos no tórax e a diminuição do murmúrio vesicular são achados clássicos. A radiografia de tórax é o exame inicial, podendo revelar a presença de alças intestinais no tórax. A tomografia computadorizada é mais sensível para confirmar o diagnóstico e identificar lesões associadas. O tratamento da HDT é cirúrgico. A via de acesso inicial é um ponto crítico. Para hérnias agudas, especialmente em pacientes politraumatizados com suspeita de lesões abdominais associadas, a laparotomia é a via preferencial. Ela oferece melhor exposição para o reparo diafragmático e para o manejo de outras lesões intra-abdominais. A toracotomia é reservada para casos crônicos ou quando há predominância de lesões torácicas. A escolha da via deve considerar a estabilidade do paciente, a presença de lesões associadas e a experiência do cirurgião.

Perguntas Frequentes

Por que a laparotomia é a via preferencial para hérnia diafragmática traumática aguda?

A laparotomia permite uma exploração completa da cavidade abdominal, onde frequentemente ocorrem lesões associadas (vísceras, vasos) devido ao mecanismo do trauma, além de facilitar a redução do conteúdo herniado e o reparo do diafragma.

Quais os sinais clínicos e radiológicos de hérnia diafragmática traumática?

Sinais incluem desconforto respiratório, dor torácica/abdominal, murmúrio vesicular diminuído e ruídos hidroaéreos no tórax. A radiografia de tórax pode mostrar elevação do diafragma, deslocamento mediastinal e presença de alças intestinais no tórax.

Quando a toracotomia seria mais indicada para reparo diafragmático?

A toracotomia é geralmente preferida para hérnias diafragmáticas crônicas, quando há aderências significativas do conteúdo abdominal ao tórax, ou em casos de trauma torácico isolado com lesão diafragmática sem suspeita de lesões abdominais.

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