Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2020
Analise as afirmativas abaixo com relação à hérnia diafragmática no recém-nascido e assinale a alternativa:I - Geralmente o RN apresenta hipoplasia pulmonar.II - O tratamento inicial de escolha é intubação na sala de parto e ventilação com pressão positiva.III - Observa-se, ao nascimento, RN com desconforto respiratório e abdome escavado.IV - A radiografia de tórax evidencia alças intestinais no tórax e trata-se de ótimo exame para se realizar o diagnóstico.
Hérnia diafragmática congênita: Hipoplasia pulmonar + Abdome escavado + Desconforto respiratório. EVITAR ventilação com bolsa-máscara; intubar e SOG para descompressão.
A hérnia diafragmática congênita é uma emergência neonatal caracterizada por hipoplasia pulmonar e hipertensão pulmonar. O manejo inicial na sala de parto é crítico, com intubação imediata e ventilação mecânica controlada, evitando ventilação com bolsa-máscara para não insuflar as alças intestinais no tórax e piorar a compressão pulmonar. A descompressão gástrica com sonda orogástrica é essencial.
A hérnia diafragmática congênita (HDC) é uma malformação grave que representa uma emergência neonatal. Caracteriza-se pela protrusão de vísceras abdominais para a cavidade torácica através de um defeito no diafragma, mais comumente no lado esquerdo (hérnia de Bochdalek). Sua importância clínica reside na alta morbimortalidade associada à hipoplasia pulmonar e à hipertensão pulmonar persistente. A fisiopatologia da HDC é complexa. A presença das alças intestinais no tórax durante o desenvolvimento fetal impede o crescimento e a maturação adequados dos pulmões, levando à hipoplasia pulmonar bilateral (embora mais grave no lado ipsilateral à hérnia) e ao desenvolvimento anormal da vasculatura pulmonar, resultando em hipertensão pulmonar persistente. Ao nascimento, o quadro clínico é de desconforto respiratório agudo, cianose e o clássico "abdome escavado", pois o conteúdo abdominal está no tórax. O diagnóstico é confirmado por radiografia de tórax, que mostra alças intestinais na cavidade torácica. O tratamento inicial na sala de parto é crítico. Deve-se intubar o recém-nascido imediatamente e iniciar ventilação mecânica controlada com parâmetros gentis para evitar barotrauma. É fundamental evitar a ventilação com bolsa-máscara, pois isso insuflaria as alças intestinais, piorando a compressão pulmonar. A passagem de uma sonda orogástrica para descompressão gástrica é essencial. A cirurgia para correção da hérnia é realizada após a estabilização clínica do paciente, visando otimizar a função pulmonar e reduzir a hipertensão pulmonar.
Ao nascimento, o recém-nascido com hérnia diafragmática congênita tipicamente apresenta desconforto respiratório progressivo, cianose, e um abdome escavado devido ao deslocamento das vísceras abdominais para o tórax.
A ventilação com bolsa-máscara insufla ar no trato gastrointestinal, o que pode distender as alças intestinais herniadas no tórax, aumentando a compressão dos pulmões e do coração, e agravando a insuficiência respiratória.
A hipoplasia pulmonar é a principal causa de morbidade e mortalidade na hérnia diafragmática congênita. A presença das vísceras abdominais no tórax durante o desenvolvimento fetal impede o crescimento normal dos pulmões, resultando em pulmões pequenos e imaturos, com menos alvéolos e vasos sanguíneos.
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