INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Um pediatra de plantão em uma maternidade de nível secundário é chamado para assistir o nascimento de um recém-nascido a termo, com 39 semanas de idade gestacional. O obstetra da equipe comunica que a gestante está na admissão em início de trabalho de parto (com 3 cm de dilatação) e com uma avaliação ultrassonográfica gestacional que evidencia hérnia diafragmática. A bolsa amniótica ainda está íntegra. Qual a conduta recomendada no caso?
Hérnia diafragmática → Intubação imediata (evitar VPP com máscara) + SNG + Transferência para centro terciário.
A hérnia diafragmática congênita exige suporte ventilatório invasivo imediato para evitar distensão gástrica e compressão pulmonar, sendo obrigatória a assistência em centro terciário com UTI Neonatal.
A hérnia diafragmática congênita (HDC) é uma malformação caracterizada por um defeito no fechamento do diafragma, permitindo a passagem de vísceras abdominais para o tórax. Isso resulta em hipoplasia pulmonar bilateral (mais acentuada ipsilateralmente) e remodelamento vascular pulmonar, levando à hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido. O manejo clínico evoluiu de uma emergência cirúrgica para uma emergência médica de estabilização fisiológica. Atualmente, a estratégia foca na 'ventilação gentil' para minimizar a lesão pulmonar induzida pelo ventilador, utilizando hipercapnia permissiva e evitando altas pressões. A cirurgia é postergada até que a hipertensão pulmonar esteja controlada e o paciente estável. Em unidades de nível secundário sem recursos de terapia intensiva neonatal, a prioridade absoluta é a transferência da gestante ou, se o nascimento for iminente, a estabilização rigorosa seguida de transporte especializado.
A ventilação com pressão positiva por máscara ou bolsa-valvula-máscara promove a entrada de ar no estômago e nas alças intestinais que estão localizadas na cavidade torácica. Essa distensão abdominal intratorácica causa compressão mecânica direta do parênquima pulmonar já hipoplásico e desvio do mediastino, agravando severamente a insuficiência respiratória e dificultando a estabilização hemodinâmica do recém-nascido.
O planejamento deve priorizar o nascimento em um centro de nível terciário que disponha de equipe de cirurgia pediátrica e UTI Neonatal equipada com suporte avançado, como ventilação de alta frequência e, se necessário, ECMO. Se o diagnóstico ocorre em unidade secundária, a gestante deve ser transferida antes do parto (transferência in utero), pois o transporte neonatal de um RN instável com HDC é de altíssimo risco.
Os pilares incluem: 1) Intubação orotraqueal imediata sem ventilação prévia por máscara; 2) Inserção de sonda nasogástrica calibrosa em aspiração contínua para descompressão gástrica; 3) Monitorização rigorosa da saturação pré-ductal; 4) Evitar pressões inspiratórias elevadas para prevenir barotrauma no pulmão contralateral.
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