SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2021
Paciente de 30 anos de idade, masculino, sem patologias prévias, chega à sala de emergência com fortes dores abdominais e intenso desconforto respiratório, com saturação de 83% e FR = 27 incursões por min., com distensão abdominal importante, com suspeita de peritonite e sinais clínicos sugestivos de abdome agudo obstrutivo. Realizado raio X de tórax e de abdome agudo, que evidenciou grande opacificação em hemitórax à esquerda, com elevação da cúpula diafragmática à esquerda e níveis hidroaéreos em topografia de hemitórax à esquerda.Sobre o relato, pode-se afirmar que se trata, possivelmente, de
Hérnia diafragmática agudizada → dor abdominal + dispneia + níveis hidroaéreos em tórax + elevação diafragma.
A hérnia diafragmática, mesmo congênita, pode se manifestar na vida adulta de forma aguda, especialmente quando há encarceramento ou estrangulamento de alças intestinais. A radiografia de tórax mostrando alças intestinais no hemitórax é um achado patognomônico.
A hérnia diafragmática congênita, embora frequentemente diagnosticada na infância, pode permanecer assintomática por anos e se manifestar na vida adulta de forma aguda. A hérnia de Bochdalek, localizada posterolateralmente, é a mais comum. Sua agudização é uma emergência cirúrgica, muitas vezes precipitada por aumento da pressão intra-abdominal ou encarceramento de órgãos. O diagnóstico é primariamente clínico e radiológico. A apresentação inclui dor abdominal, desconforto respiratório e, em casos graves, choque. A radiografia de tórax e abdome agudo é fundamental, revelando elevação da cúpula diafragmática, opacificação do hemitórax e, caracteristicamente, a presença de alças intestinais ou outros órgãos abdominais na cavidade torácica, com ou sem níveis hidroaéreos. O tratamento é cirúrgico e visa à redução das vísceras para a cavidade abdominal e ao reparo do defeito diafragmático. O manejo inicial na emergência inclui estabilização hemodinâmica e respiratória, com atenção especial à ventilação, evitando pressões elevadas que possam agravar a compressão pulmonar.
Os sinais radiológicos incluem opacificação do hemitórax afetado, elevação da cúpula diafragmática e, crucialmente, a presença de níveis hidroaéreos ou alças intestinais dentro da cavidade torácica.
O desconforto respiratório ocorre devido à compressão pulmonar pelas vísceras abdominais herniadas, enquanto a dor abdominal pode ser causada por distensão, isquemia ou encarceramento das alças intestinais no saco herniário.
A presença de níveis hidroaéreos e a identificação de estruturas intestinais (como haustrações) no hemitórax são achados distintivos da hérnia diafragmática, que não são típicos de pneumonia ou derrame pleural.
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