UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Menino, nascido com 32 semanas de gestação, apresenta desconforto respiratório grave e cianose na sala de parto. Sem melhora do quadro com suplementação de oxigênio por máscara facial. Exame físico: abdome escavado e má perfusão periférica. Solicitada radiografia do tórax. Pode-se afirmar que, provavelmente, esse exame mostrará:
RN + Desconforto respiratório + Abdome escavado = Hérnia Diafragmática Congênita.
A presença de alças intestinais no tórax causa hipoplasia pulmonar e desvio do mediastino, manifestando-se como insuficiência respiratória grave e abdome não globoso ao nascimento.
A Hérnia Diafragmática Congênita (HDC) é uma emergência neonatal resultante de uma falha no fechamento dos canais pleuroperitoneais durante a embriogênese, sendo a Hérnia de Bochdalek (posterolateral esquerda) a forma mais comum. A gravidade clínica não decorre apenas da compressão mecânica, mas principalmente da hipoplasia pulmonar e da hipertensão pulmonar persistente associadas. O diagnóstico é clínico-radiológico, e o manejo foca na estabilização ventilatória gentil (estratégias de proteção pulmonar) antes da correção cirúrgica definitiva.
O abdome apresenta-se escavado (ou plano) porque grande parte do conteúdo abdominal (estômago, alças intestinais, às vezes o baço) migrou para a cavidade torácica através do defeito diafragmático.
A radiografia tipicamente mostra imagens sugestivas de alças intestinais (níveis hidroaéreos ou 'bolhas') preenchendo o hemitórax (geralmente o esquerdo), com desvio do mediastino para o lado contralateral e ausência de parênquima pulmonar visível.
Deve-se evitar a ventilação por máscara. A conduta é a intubação orotraqueal imediata e a passagem de uma sonda nasogástrica calibrosa para descompressão do trato gastrointestinal, visando reduzir a compressão pulmonar.
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