Hospital do Açúcar - Maceió (AL) — Prova 2015
Logo após o nascimento um recém-nascido de termo apresenta-se com taquipneia, retrações com piora progressiva e cianose persistente. O abdome encontra-se escavado. Ventilação com bolsa máscara é iniciada. A auscuta revela sons respiratórios diminuídos à esquerda e bulhas cardíacas que são mais intensas à direita. A explicação MAIS provável para esses achados é:
RN com desconforto respiratório grave, abdome escavado e desvio de bulhas cardíacas → Hérnia Diafragmática Congênita (CDH).
A hérnia diafragmática congênita é uma emergência neonatal caracterizada pela passagem de vísceras abdominais para o tórax, causando hipoplasia pulmonar e desvio mediastinal. O abdome escavado e a ausência de sons respiratórios no lado afetado, com desvio do ictus cardíaco, são achados clássicos.
A hérnia diafragmática congênita (HDC) é uma malformação grave que ocorre quando há um defeito no diafragma, permitindo que órgãos abdominais se desloquem para a cavidade torácica. Esta condição é uma emergência neonatal, com incidência de aproximadamente 1 em 2.000 a 1 em 5.000 nascidos vivos, e é uma causa significativa de morbimortalidade em recém-nascidos devido à insuficiência respiratória grave. A fisiopatologia da HDC envolve a compressão dos pulmões em desenvolvimento pelas vísceras herniadas, resultando em hipoplasia pulmonar (pulmões pequenos e com menos alvéolos e vasos sanguíneos) e hipertensão pulmonar persistente. Clinicamente, o recém-nascido apresenta desconforto respiratório progressivo, cianose, abdome escavado e, à ausculta, sons respiratórios diminuídos no lado da hérnia e desvio das bulhas cardíacas para o lado oposto. O diagnóstico é frequentemente antenatal por ultrassonografia, mas pode ser confirmado ao nascimento pelo quadro clínico e radiografia de tórax. O manejo inicial é estabilização respiratória, evitando ventilação com bolsa-máscara (que pode insuflar o intestino no tórax), e intubação orotraqueal com ventilação mecânica. A cirurgia para reposicionar as vísceras abdominais e fechar o defeito diafragmático é realizada após a estabilização do paciente, geralmente nas primeiras 24-48 horas de vida. O prognóstico depende do grau de hipoplasia pulmonar e da presença de hipertensão pulmonar.
Os achados clássicos incluem desconforto respiratório grave (taquipneia, retrações, cianose), abdome escavado, sons respiratórios diminuídos ou ausentes no hemitórax afetado e desvio das bulhas cardíacas para o lado contralateral.
O abdome é escavado porque as vísceras abdominais (intestinos, estômago, fígado) herniaram para a cavidade torácica através do defeito diafragmático, esvaziando a cavidade abdominal.
A principal complicação é a hipoplasia pulmonar do lado afetado, e frequentemente do lado contralateral também, devido à compressão crônica das vísceras abdominais durante o desenvolvimento fetal, resultando em pulmões pequenos e imaturos.
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