USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Recém-nascido pré-termo, com idade gestacional de 33 semanas e peso de nascimento de 2.000 g, apresentou desconforto respiratório sem melhora após as manobras de ventilação com pressão positiva na sala de parto, necessitando intubação orotraqueal e suporte de ventilação mecânica. A mãe do paciente não realizou pré-natal durante a gestação. Realizou radiografia de tórax na unidade de terapia intensiva neonatal, conforme imagem a seguir: Assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta recomendada para esse caso.
RN + desconforto + abdome escavado + imagem cística torácica = Hérnia Diafragmática.
A hérnia diafragmática congênita exige estabilização hemodinâmica e ventilatória rigorosa antes da correção cirúrgica, que não é uma emergência imediata.
A Hérnia Diafragmática Congênita (HDC) resulta de um defeito no fechamento das pregas pleuroperitoneais durante o desenvolvimento embrionário. O conteúdo abdominal migra para o tórax, impedindo o desenvolvimento pulmonar normal (hipoplasia) e causando remodelamento vascular (hipertensão pulmonar). O manejo moderno foca na 'estabilização primeiro', utilizando estratégias de ventilação protetora para evitar o barotrauma no pulmão contralateral sadio. A cirurgia é realizada apenas quando o paciente apresenta estabilidade hemodinâmica e melhora dos parâmetros de oxigenação, geralmente após as primeiras 48 horas de vida.
Historicamente, acreditava-se que a cirurgia imediata reduziria a compressão pulmonar. No entanto, evidências modernas mostram que o prognóstico depende da gravidade da hipoplasia pulmonar e da hipertensão pulmonar persistente. A cirurgia precoce em um RN instável pode piorar a complacência pulmonar e a hemodinâmica. Portanto, a prioridade é a estabilização fisiológica (ventilação gentil, controle da hipertensão pulmonar) por 24-48 horas antes da correção.
Na hérnia diafragmática (especialmente a de Bochdalek, à esquerda), observam-se alças intestinais preenchidas por ar no tórax, desvio do mediastino e, crucialmente, um abdome escavado (vazio) na radiografia/exame físico. Na Malformação Adenomatoide Cística (MAC), as lesões císticas são intrapulmonares e o conteúdo abdominal está em posição normal, sem o aspecto escavado característico.
É terminantemente proibido realizar ventilação com pressão positiva sob máscara (AMBU) em pacientes com suspeita de hérnia diafragmática, pois isso insufla o estômago e as alças intestinais herniadas, comprimindo ainda mais o pulmão hipoplásico e desviando o mediastino. A intubação orotraqueal imediata e a passagem de sonda nasogástrica para descompressão são as condutas corretas na sala de parto.
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