Hérnia Diafragmática Congênita: Manejo Neonatal Urgente

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2019

Enunciado

Ao receber um RN, IG: 33 semanas, parto cesáreo, com líquido amniótico claro, em sala de parto, você percebe grave desconforto respiratório, com gaspping e cianose central. O abdômen era bastante escavado e RHA foram auscultados em hemitórax esquerdo. Assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Após os passos iniciais, a intubação orotraqueal está indicada.
  2. B) Após os passos iniciais, a VPP com máscara está indicada.
  3. C) A saturação de O2 é um importante parâmetro para o prognóstico deste paciente.
  4. D) A drenagem torácica em selo d’água está indicada neste paciente.
  5. E) Nenhuma das anteriores está correta.

Pérola Clínica

RN com desconforto respiratório grave, abdômen escavado e RHA em tórax → Hérnia Diafragmática Congênita = IOT e descompressão gástrica.

Resumo-Chave

A presença de abdômen escavado e ruídos hidroaéreos no tórax em um RN com desconforto respiratório grave é patognomônica de hérnia diafragmática congênita. Nesses casos, a ventilação com máscara é contraindicada, pois insufla o trato gastrointestinal no tórax, piorando a compressão pulmonar. A intubação orotraqueal e a descompressão gástrica são essenciais.

Contexto Educacional

A hérnia diafragmática congênita (HDC) é uma malformação grave que ocorre quando há um defeito no diafragma, permitindo a herniação de órgãos abdominais para a cavidade torácica. Isso resulta em hipoplasia pulmonar e hipertensão pulmonar persistente, levando a grave desconforto respiratório ao nascimento. A incidência é de aproximadamente 1 em 2.000 a 5.000 nascidos vivos, sendo uma emergência neonatal com alta morbimortalidade. O diagnóstico é frequentemente suspeitado no pré-natal por ultrassonografia, mas ao nascimento, a tríade clássica de desconforto respiratório grave, abdômen escavado e ausculta de ruídos hidroaéreos no tórax é patognomônica. A conduta inicial na sala de parto é crítica e difere da reanimação neonatal padrão. A ventilação com pressão positiva por máscara é contraindicada, pois pode distender o trato gastrointestinal herniado, exacerbando a compressão pulmonar. O manejo imediato envolve a intubação orotraqueal para ventilação mecânica controlada e a inserção de uma sonda orogástrica para descompressão do estômago e intestinos. O objetivo é estabilizar o paciente antes do reparo cirúrgico da hérnia. A saturação de oxigênio é um parâmetro importante, mas a prioridade é a ventilação adequada e a descompressão para otimizar a função pulmonar e reduzir a hipertensão pulmonar.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos clássicos da hérnia diafragmática congênita em um recém-nascido?

Os sinais incluem desconforto respiratório grave, cianose, abdômen escavado (escafóide) e a ausculta de ruídos hidroaéreos no hemitórax afetado devido à presença de alças intestinais.

Por que a ventilação com pressão positiva por máscara é contraindicada na hérnia diafragmática congênita?

A VPP com máscara pode insuflar o estômago e as alças intestinais que estão herniadas no tórax, aumentando a compressão pulmonar e mediastinal, piorando o quadro respiratório.

Qual a conduta inicial recomendada para um recém-nascido com suspeita de hérnia diafragmática congênita?

Após os passos iniciais da reanimação, a intubação orotraqueal precoce é indicada para ventilação controlada, seguida pela inserção de uma sonda orogástrica para descompressão do trato gastrointestinal.

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