Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
Um menino de 11 anos, portador de hérnia inguinoescrotal desde a infância, apresentou fístula escrotal com secreção purulenta e foi submetido a tratamento cirúrgico. No intraoperatório, observou-se o apêndice cecal perfurado contido dentro do saco herniário inguinal. Esse achado corresponde a qual tipo de hérnia rara?
Hérnia de Amyand = Presença do apêndice cecal (inflamado ou não) dentro do saco herniário inguinal.
A Hérnia de Amyand ocorre quando o apêndice vermiforme é encontrado no saco herniário inguinal, podendo apresentar-se como apendicite aguda mimetizando uma hérnia encarcerada.
A Hérnia de Amyand representa um desafio diagnóstico pré-operatório, pois os sintomas frequentemente mimetizam uma hérnia inguinal estrangulada ou encarcerada. A fisiopatologia envolve a migração do apêndice para o canal inguinal devido a variações anatômicas ou fixações cecais frouxas. É mais comum em crianças devido à patência do processo vaginal, mas pode ocorrer em qualquer idade. Clinicamente, o paciente apresenta abaulamento inguinal doloroso, podendo haver sinais flogísticos locais se houver perfuração, como no caso descrito. O conhecimento das eponímias (Amyand, Littre, Richter, Garangeot) é recorrente em provas de cirurgia geral e pediátrica, exigindo do residente a memorização precisa das estruturas contidas em cada tipo de hérnia rara e a conduta específica para cada uma.
A Hérnia de Amyand é definida pela presença do apêndice vermiforme (cecal) dentro de um saco herniário inguinal. Essa condição é rara, ocorrendo em aproximadamente 1% das hérnias inguinais. O apêndice pode estar em estado normal, inflamado (apendicite) ou até perfurado, o que dita a urgência e a técnica cirúrgica a ser empregada, como a apendicectomia associada ou não ao reparo da hérnia com tela, dependendo do grau de contaminação local.
Embora ambas envolvam o apêndice em sacos herniários, a Hérnia de Amyand refere-se especificamente à localização inguinal. Já a Hérnia de de Garengeot ocorre quando o apêndice cecal está contido em um saco herniário femoral (crural). Ambas são raridades cirúrgicas e frequentemente diagnosticadas apenas no intraoperatório durante a exploração de hérnias presumidamente encarceradas ou estranguladas.
O tratamento depende da classificação de Losanoff e Basson. Se o apêndice estiver normal, pode-se realizar apenas a redução e herniorrafia. Se houver apendicite aguda (estágio 2 a 4), a apendicectomia é obrigatória. O uso de telas é contraindicado em campos francamente contaminados ou perfurados (estágios 3 e 4), preferindo-se técnicas de sutura primária (como Shouldice ou Bassini) para evitar infecção de sítio cirúrgico e rejeição de prótese.
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