SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2020
Pedro, 58 anos, tabagista, sem outras doenças crônicas ou uso de medicamentos contínuos, chega até a unidade de saúde se queixando de que a hérnia abdominal que tem há vários anos ""saiu para fora e não quer voltar"". Relata ainda que nunca teve dor e sempre manteve hábito intestinal regular diário, sem alterações até o presente momento. Já está aguardando uma cirurgia corretiva há cerca de 2 anos. Na avaliação, observa-se que apesar do abaulamento local, não existem sinais flogísticos visíveis, nem dor a palpação, e Pedro apresenta todos os sinais vitais dentro do esperado. Considerando o atendimento na atenção primária e a hipótese de hérnia encarcerada, seria indicado, nesse momento:
Hérnia encarcerada sem sinais flogísticos/dor → Tentar redução manual pós-analgesia, encaminhar para cirurgia eletiva prioritária.
Em casos de hérnia encarcerada sem sinais de estrangulamento (dor, flogose, instabilidade), a conduta inicial na atenção primária é tentar a redução manual após analgesia. Se bem-sucedida, o paciente deve ser encaminhado para cirurgia eletiva com prioridade para evitar recorrência e complicações.
Hérnias abdominais são comuns e podem se tornar encarceradas quando o conteúdo herniário fica preso no saco herniário, impossibilitando a redução espontânea. A atenção primária desempenha um papel crucial na identificação e manejo inicial, diferenciando o encarceramento simples do estrangulamento, que é uma emergência cirúrgica. O reconhecimento precoce evita complicações graves. No caso de uma hérnia encarcerada sem sinais de estrangulamento (ausência de dor intensa, sinais flogísticos, febre ou sinais de obstrução intestinal), a conduta inicial recomendada é tentar a redução manual. Isso deve ser feito após analgesia adequada, com o paciente em posição relaxada, aplicando pressão suave e constante na massa herniária. Se a redução for bem-sucedida, o paciente deve ser encaminhado para cirurgia eletiva com prioridade para correção definitiva e prevenção de novos episódios. Se a redução manual falhar ou se houver qualquer sinal de estrangulamento, o paciente deve ser encaminhado imediatamente para um cirurgião geral em caráter de urgência. O estrangulamento implica comprometimento vascular do conteúdo herniário, com risco de isquemia, necrose e perfuração intestinal, exigindo intervenção cirúrgica imediata para evitar morbidade e mortalidade significativas.
Os sinais de estrangulamento incluem dor intensa e persistente, sinais flogísticos locais (eritema, calor, edema), febre, taquicardia, náuseas, vômitos e sinais de obstrução intestinal. A presença desses sinais indica uma emergência cirúrgica e contraindica a redução manual.
Após analgesia adequada e posicionamento do paciente (Trendelenburg para hérnias inguinais), aplica-se pressão suave e contínua na massa herniária, empurrando-a em direção ao anel herniário. É importante não forçar e observar o paciente após a redução para garantir que não houve lesão intestinal.
Uma hérnia encarcerada deve ser encaminhada para cirurgia de urgência se houver sinais de estrangulamento, se a redução manual não for bem-sucedida após algumas tentativas, ou se houver suspeita de lesão intestinal. Nesses casos, o risco de isquemia e necrose intestinal é alto.
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