Hepatotoxicidade por Paracetamol: Riscos e Fatores

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2023

Enunciado

Sobre o risco de hepatotoxicidade pelo paracetamol, é CORRETO afirmar que

Alternativas

  1. A) o prognóstico da hepatotoxicidade induzida pelo uso repetido de doses supraterapêuticas com intenção analgésica é melhor do que o da relacionada aos casos de intenção suicida.
  2. B) consumo agudo concomitante de álcool e paracetamol (em dose acima de 4g) potencializa o efeito tóxico da droga.
  3. C) o uso de paracetamol é contraindicado em portadores de doenças hepáticas crônicas devido ao maior risco de hepatotoxicidade.
  4. D) pacientes que abusam cronicamente de álcool podem desenvolver lesão hepática grave com o uso de doses diárias de paracetamol acima de 4 a 6g, principalmente se forem desnutridos.
  5. E) o uso concomitante de produtos fitoterápicos ou de outras medicações não interfere no risco de hepatotoxicidade pelo paracetamol.

Pérola Clínica

Abuso crônico de álcool + desnutrição ↑ risco de hepatotoxicidade grave por paracetamol, mesmo em doses diárias > 4-6g.

Resumo-Chave

Pacientes com abuso crônico de álcool e desnutrição têm depleção de glutationa, o que os torna mais suscetíveis à hepatotoxicidade pelo paracetamol, pois o metabólito tóxico (NAPQI) não é adequadamente detoxificado, mesmo com doses que seriam consideradas seguras para a população geral.

Contexto Educacional

A hepatotoxicidade induzida por paracetamol é uma das causas mais comuns de insuficiência hepática aguda em muitos países, sendo um tema de grande relevância clínica e para provas de residência. O conhecimento sobre suas doses tóxicas e fatores de risco é essencial para a prática médica segura. O paracetamol é metabolizado principalmente por glicuronidação e sulfatação. Uma pequena porção é oxidada pelo sistema citocromo P450 (especialmente CYP2E1) para formar o metabólito tóxico NAPQI. Em condições normais, o NAPQI é rapidamente conjugado com glutationa e excretado. Fatores como abuso crônico de álcool, desnutrição e uso de indutores enzimáticos podem depletar as reservas de glutationa, levando ao acúmulo de NAPQI e dano hepatocelular. O manejo da intoxicação por paracetamol envolve a administração de N-acetilcisteína (NAC), que é mais eficaz quando iniciada dentro de 8 horas após a ingestão. É crucial identificar pacientes com fatores de risco, como alcoolismo crônico e desnutrição, que podem desenvolver hepatotoxicidade com doses diárias de paracetamol que seriam consideradas seguras em indivíduos saudáveis (acima de 4 a 6g).

Perguntas Frequentes

Qual o mecanismo da hepatotoxicidade pelo paracetamol?

O paracetamol é metabolizado no fígado. Uma pequena parte é convertida em N-acetil-p-benzoquinona imina (NAPQI), um metabólito tóxico. Em doses terapêuticas, o NAPQI é detoxificado pela glutationa. Em superdosagem ou depleção de glutationa, o NAPQI se acumula e causa dano hepático.

Qual o papel do álcool na toxicidade do paracetamol?

O consumo crônico de álcool induz enzimas do citocromo P450 (como CYP2E1) que aumentam a formação de NAPQI. Além disso, o alcoolismo crônico frequentemente leva à desnutrição e depleção de glutationa, reduzindo a capacidade de detoxificação.

Qual o tratamento para a intoxicação por paracetamol?

O tratamento principal é a administração de N-acetilcisteína (NAC), que repõe os estoques de glutationa e/ou se liga diretamente ao NAPQI, prevenindo ou minimizando o dano hepático. A eficácia é maior quando administrada precocemente.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo