Hepatotoxicidade no Tratamento da Tuberculose: Fármacos e Riscos

Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente em acompanhamento por tuberculose pulmonar (diagnóstico por confirmação em escarro positivo 2+) em unidade básica de saúde, desenvolve após uma semana do tratamento quadro de icterícia e elevação de transaminases (maior que 5 vezes o valor de referência), com suspensão do esquema terapêutico. Qual dos abaixo tem a menor probabilidade de estar relacionado à hepatotoxicidade?

Alternativas

  1. A) Rifampicina.
  2. B) Isoniazida.
  3. C) Pirazinamida.
  4. D) Etambutol.

Pérola Clínica

Tratamento de TB → Rifampicina, Isoniazida e Pirazinamida são hepatotóxicos; Etambutol tem menor probabilidade de causar dano hepático.

Resumo-Chave

A hepatotoxicidade é um efeito adverso comum e sério do tratamento da tuberculose, principalmente associada à Isoniazida, Rifampicina e Pirazinamida. O Etambutol, por outro lado, é o fármaco do esquema RIPE com menor risco de causar dano hepático, sendo sua principal toxicidade ocular (neurite óptica).

Contexto Educacional

O tratamento da tuberculose pulmonar ativa envolve um esquema terapêutico combinado, geralmente com quatro fármacos na fase intensiva (Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida e Etambutol - RIPE) e dois na fase de manutenção. Embora altamente eficaz, esse regime está associado a diversos efeitos adversos, sendo a hepatotoxicidade um dos mais preocupantes e comuns, exigindo monitoramento rigoroso da função hepática. A Isoniazida, Rifampicina e Pirazinamida são os principais fármacos do esquema RIPE com potencial hepatotóxico. A Isoniazida pode causar hepatite medicamentosa, especialmente em metabolizadores lentos. A Rifampicina, embora menos hepatotóxica que a Isoniazida, pode potencializar a toxicidade de outros fármacos e causar icterícia colestática. A Pirazinamida é considerada o fármaco mais hepatotóxico do esquema, com risco de hepatite grave e necrose hepática. Em contraste, o Etambutol é o fármaco do esquema RIPE com a menor probabilidade de causar hepatotoxicidade significativa. Seu principal efeito adverso é a neurite óptica, que pode levar a alterações visuais, incluindo a dificuldade em distinguir cores (discromatopsia). Diante de um quadro de icterícia e elevação de transaminases, a suspensão do esquema é a conduta correta, e o Etambutol seria o menos provável de ser o agente causal direto da lesão hepática.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de hepatotoxicidade durante o tratamento da tuberculose?

Os sinais e sintomas incluem icterícia, náuseas, vômitos, dor abdominal no quadrante superior direito, fadiga, urina escura e fezes claras. Laboratorialmente, há elevação das transaminases (ALT/AST) e bilirrubinas.

Qual a conduta inicial diante da suspeita de hepatotoxicidade grave pelo tratamento da tuberculose?

A conduta inicial é a suspensão imediata de todos os medicamentos antituberculosos e a avaliação da causa da lesão hepática. Após a melhora, os fármacos podem ser reintroduzidos gradualmente, com monitoramento rigoroso, ou um esquema alternativo pode ser necessário.

Qual é o principal efeito adverso do Etambutol?

O principal efeito adverso do Etambutol é a neurite óptica, que pode se manifestar como diminuição da acuidade visual, discromatopsia (dificuldade em distinguir cores, especialmente verde-vermelho) e escotomas. É reversível se detectada precocemente.

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