SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2020
Paciente do sexo masculino, 35 anos, procura o pronto socorro por queixa de náusea, vômitos alimentares, mal-estar inespecífico e “amarelão” há uma semana. Paciente nega comorbidades, nega comportamento de risco para doenças sexualmente transmissíveis, nega consumo de álcool. Relata uso de amoxicilina-ácido clavulânico após procedimento dentário 10 dias antes do início do quadro. Ao exame físico, Índice de Massa Corpórea (IMC) 41,2, discreto desconforto epigástrico e icterícia 3+/IV. Laboratoriais: Hemoglobina 14,1 g/dL; Hematócrito 42%; Leucócitos 6.120/mm³; Plaquetas 208.000/mm³; Transaminase Pirúvica 1.325 U/L; Transaminase Oxalacética 1.752 U/L; Gama Glutamil Transferase 324 U/L; Fosfatase Alcalina 475 U/L; Bilirrubina Total 23,1 mg/dL; Bilirrubina Direta 19,2 mg/dL. Anti-HBs reagente, HBsAg não reagente; Anti-HBc Total não reagente; Anti-HAV IgG reagente; Anti-HAV IgM não reagente; Anti-HCV não reagente. Dentre as alternativas abaixo, qual contém uma hipótese diagnóstica ainda possível ao quadro descrito?
Icterícia + ↑ transaminases + uso recente de droga hepatotóxica + sorologias virais negativas = DILI.
O quadro clínico de icterícia, náuseas, vômitos e elevação acentuada de transaminases, fosfatase alcalina e bilirrubinas, associado ao uso recente de amoxicilina-ácido clavulânico (conhecido por causar hepatotoxicidade colestática ou mista), e com sorologias virais negativas, aponta fortemente para hepatotoxicidade medicamentosa.
A hepatotoxicidade medicamentosa, ou Lesão Hepática Induzida por Drogas (DILI), é uma causa importante de hepatite aguda e pode ser um desafio diagnóstico. Ela ocorre quando o fígado é danificado por substâncias químicas, medicamentos ou suplementos, e sua apresentação clínica pode variar de elevações assintomáticas de enzimas hepáticas a insuficiência hepática fulminante. A amoxicilina-ácido clavulânico é um dos agentes mais frequentemente associados à DILI, tipicamente causando um padrão de lesão colestática ou mista, com icterícia proeminente. No caso apresentado, o paciente exibe um quadro agudo de icterícia, náuseas e vômitos, com elevações significativas de transaminases (TGO/TGP), fosfatase alcalina (FA), gama glutamil transferase (GGT) e bilirrubinas (predominantemente direta). A história de uso recente de amoxicilina-ácido clavulânico, 10 dias antes do início dos sintomas, é um dado crucial. Além disso, a exclusão de hepatites virais agudas por meio das sorologias negativas reforça a hipótese de DILI. O diagnóstico de DILI é de exclusão, exigindo uma anamnese detalhada sobre o uso de medicamentos, suplementos e fitoterápicos, juntamente com a exclusão de outras causas de lesão hepática. O tratamento consiste na suspensão imediata do agente causador e manejo de suporte. A recuperação geralmente ocorre após a retirada da droga, mas em casos graves, pode evoluir para insuficiência hepática.
Os sintomas podem incluir náuseas, vômitos, mal-estar, fadiga, dor abdominal no quadrante superior direito e icterícia. Laboratorialmente, observa-se elevação de transaminases, bilirrubinas e, por vezes, fosfatase alcalina e GGT.
Diversos medicamentos podem causar DILI, incluindo antibióticos (como amoxicilina-ácido clavulânico, isoniazida), anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), paracetamol (em superdosagem), antifúngicos e alguns fitoterápicos.
A diferenciação envolve uma história clínica detalhada de uso de medicamentos, exclusão de hepatites virais (A, B, C, E), doenças autoimunes e metabólicas. A melhora após a suspensão do agente agressor é um forte indicativo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo