AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Ana Maria, 55 anos, sentindo-se cansada e achando-se envelhecida, encontrou várias promessas nas mídias sociais para revigorar-se, usando suplementos vitamínicos, fitoterápicos e suplementação hormonal. Após consulta online recebeu vários compostos em casa e iniciou o uso como recomendado. Dois meses após o início das medicações percebeu urina escura e piora do quadro de cansaço, agora acompanhada de dor do tipo desconforto em quadrante superior direito e náuseas. O apetite diminuiu drasticamente e registrou perda de 5 quilos. Não lembra de episódios de febre e o ritmo intestinal permanece diário. O exame clínico é inespecífico, exceto pela pigmentação da pele e desconforto à palpação de abdômen. Exames laboratoriais revelaram: fosfatase alcalina 450 UI/L; bilirrubinas totais de 9,0 mg/dL, com bilirrubina direta de 6,9 mg/dL; Transaminases = AST: 560 UI/L, ALT: 880. U/L. Ultrassom de abdômen mostra vesícula sem cálculos com a não visualização do ducto colédoco. A conduta mais adequada, no momento, além da suspensão das medicações suspeitas, seria solicitar:
Icterícia + ↑ Transaminases após suplementos → Suspender substância + Imagem (TC/RM) para excluir obstrução biliar.
A suspeita de DILI (Drug-Induced Liver Injury) exige a exclusão de outras causas de hepatite e, crucialmente, de obstruções mecânicas das vias biliares através de exames de imagem abdominal.
A lesão hepática induzida por drogas (DILI) pode apresentar padrões hepatocelulares (↑ALT), colestáticos (↑FA/GGT) ou mistos. O caso clínico apresenta um padrão misto com icterícia importante. A conduta imediata é a suspensão de todos os agentes suspeitos e a investigação sistemática para descartar diagnósticos diferenciais graves, como obstrução biliar extra-hepática.
O diagnóstico de DILI é de exclusão. Requer nexo temporal entre a exposição à droga/suplemento e o início da lesão, melhora após suspensão e exclusão rigorosa de hepatites virais, autoimunes, isquêmicas e causas obstrutivas biliares.
Esteroides anabolizantes, suplementos para perda de peso (como extrato de chá verde), fitoterápicos (Kava-kava) e suplementos multivitamínicos em excesso são causas frequentes de lesão hepatocelular ou colestática.
Embora o USG seja o primeiro passo, a TC ou RM de abdômen oferecem maior sensibilidade para avaliar o colédoco distal e descartar microcálculos ou compressões extrínsecas que podem mimetizar o padrão colestático da DILI.
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