Hepatopatia Colestática: Abordagem Diagnóstica e Causas

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 42a, encaminhada do dermatologista por alteração de exames laboratoriais que realizou em investigação de alergia de pele com prurido e uso eventual de loratadina. Antecedentes pessoais: nega uso de outras medicações e ingere 4 latas de cerveja nos finais de semana. Exame físico: IMC= 31kg/m². AST= 51 U/L; ALT= 42 U/L; Fosfatase Alcalina= 369 U/L; GGT= 561 U/L; glicemia de jejum= 110 mg/dL.O DIAGNÓSTICO E A CONDUTA SÃO:

Alternativas

  1. A) Não é possível definir o diagnóstico; prosseguir investigação com biópsia hepática percutânea.
  2. B) Hepatopatia de padrão colestático, realizar exame de imagem e pesquisar anticorpo antimitocôndria.
  3. C) Doença hepática gordurosa não alcoólica associada a síndrome metabólica; orientar hábitos alimentares.
  4. D) Toxicidade por álcool e/ou loratadina; suspender o uso e repetir exames após quatro semanas.

Pérola Clínica

FA ↑↑ + GGT ↑↑ + prurido = padrão colestático → investigar causas (autoimunes, obstrutivas).

Resumo-Chave

A elevação acentuada de Fosfatase Alcalina e GGT, juntamente com prurido, indica um padrão de hepatopatia colestática. A investigação deve incluir exames de imagem para descartar obstrução biliar e pesquisa de autoanticorpos, como o anticorpo antimitocôndria (AMA) para colangite biliar primária (CBP).

Contexto Educacional

A avaliação de exames hepáticos alterados é uma situação comum na prática clínica. É fundamental identificar o padrão de lesão hepática (hepatocelular, colestático ou misto) para direcionar a investigação diagnóstica. O padrão colestático, caracterizado por elevações proeminentes de Fosfatase Alcalina (FA) e Gama-Glutamil Transferase (GGT), frequentemente acompanhado de prurido, sugere um problema no fluxo biliar. Neste caso, a paciente apresenta FA e GGT muito elevadas, além de prurido, o que aponta fortemente para colestase. Embora a paciente tenha obesidade (IMC 31) e pré-diabetes (glicemia 110), sugerindo Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA), e consuma álcool, o padrão colestático é o mais evidente. A investigação inicial deve incluir exames de imagem (ultrassonografia, colangioressonância) para descartar causas obstrutivas das vias biliares. Além disso, a pesquisa de autoanticorpos é crucial para causas intra-hepáticas de colestase. O anticorpo antimitocôndria (AMA) é o marcador sorológico de escolha para a Colangite Biliar Primária (CBP), uma doença autoimune que afeta os ductos biliares intra-hepáticos e é mais comum em mulheres de meia-idade, frequentemente associada a prurido. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para retardar a progressão da doença.

Perguntas Frequentes

Quais exames laboratoriais indicam um padrão de colestase?

O padrão colestático é caracterizado por elevações significativas da Fosfatase Alcalina (FA) e da Gama-Glutamil Transferase (GGT), geralmente com elevações mais discretas das transaminases (AST/ALT).

Quais são as principais causas de hepatopatia colestática?

As causas podem ser intra-hepáticas (como colangite biliar primária, colangite esclerosante primária, colestase induzida por drogas) ou extra-hepáticas (como coledocolitíase, estenoses biliares, tumores de vias biliares ou cabeça de pâncreas).

Por que pesquisar anticorpo antimitocôndria (AMA) em casos de colestase?

O anticorpo antimitocôndria (AMA) é um marcador sorológico altamente específico para o diagnóstico da Colangite Biliar Primária (CBP), uma doença autoimune que causa destruição progressiva dos ductos biliares intra-hepáticos.

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