Hepatocarcinoma: Diagnóstico e Opções de Tratamento

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022

Enunciado

Homem de 54 anos, portador de hepatite B em atividade, em seguimento ambulatorial. Exame físico sem alterações. Nos exames laboratoriais, encontram-se os seguintes achados: Hb normal, plaquetopenia, bilirrubina total de 2,8, albumina de 3,0 g%. Ultrassonografia com sinais de hepatopatia crônica e achado de 2 nódulos com 3 cm de diâmetro. TC de abdome confirmou os achados de 2 nódulos hipervasculares na fase arterial, com lavagem rápida do meio de contraste, um medindo 3,0 cm no segmento 6 e outro medindo 2,9 cm no segmento 7. Aprincipal hipótese diagnóstica e o tratamento são

Alternativas

  1. A) hemangiomas; ressecção cirúrgica.
  2. B) adenoma; seguimento clínico.
  3. C) hepatocarcinoma; ressecção cirúrgica.
  4. D) hepatocarcinoma; transplante hepático.
  5. E) hepatocarcinoma; quimioembolização transarterial.

Pérola Clínica

Nódulos hepáticos hipervasculares com washout em paciente cirrótico = HCC até prova em contrário; considerar transplante se dentro dos critérios.

Resumo-Chave

Em pacientes com hepatopatia crônica, especialmente cirrose por hepatite B, nódulos hepáticos com padrão de hipervascularização arterial e lavagem rápida do contraste na fase portal/tardia são altamente sugestivos de hepatocarcinoma. O transplante hepático é uma opção curativa para pacientes selecionados que atendem aos critérios de Milão, tratando tanto o tumor quanto a doença hepática subjacente.

Contexto Educacional

O hepatocarcinoma (HCC) é o tipo mais comum de câncer primário de fígado e a terceira principal causa de morte por câncer globalmente. Sua incidência está fortemente associada à cirrose hepática, sendo a infecção crônica pelos vírus da hepatite B (HBV) e C (HCV), o consumo excessivo de álcool e a doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD) os principais fatores de risco. Para residentes, é fundamental entender a vigilância e o diagnóstico precoce em pacientes de risco. O diagnóstico do HCC em pacientes cirróticos é frequentemente realizado por exames de imagem dinâmicos (tomografia computadorizada ou ressonância magnética com contraste) que demonstram o padrão característico de hipervascularização arterial e lavagem rápida do contraste nas fases portal ou tardia. A biópsia hepática é geralmente evitada se os critérios de imagem forem conclusivos, devido ao risco de disseminação tumoral. Marcadores como a alfa-fetoproteína podem auxiliar, mas não são diagnósticos isoladamente. As opções de tratamento para HCC variam conforme o estágio da doença, função hepática e condições do paciente. Para tumores em estágio inicial e pacientes com cirrose compensada, a ressecção cirúrgica ou o transplante hepático são curativos. O transplante é particularmente vantajoso pois trata tanto o tumor quanto a doença hepática subjacente, sendo indicado para pacientes que se enquadram nos critérios de Milão (um nódulo ≤ 5 cm ou até três nódulos ≤ 3 cm). Outras terapias incluem ablação por radiofrequência, quimioembolização transarterial (TACE) e terapias sistêmicas para estágios avançados.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de hepatocarcinoma?

Os principais fatores de risco para HCC incluem cirrose hepática de qualquer etiologia (hepatite B, hepatite C, doença hepática alcoólica, esteato-hepatite não alcoólica), infecção crônica por vírus da hepatite B ou C, hemocromatose e aflatoxinas.

Como é feito o diagnóstico de hepatocarcinoma por imagem?

O diagnóstico de HCC em pacientes cirróticos pode ser feito por exames de imagem (TC ou RM com contraste) que mostram um nódulo com hipervascularização arterial e lavagem rápida do contraste na fase portal ou tardia. Biópsia é reservada para casos atípicos.

Quais são os critérios de Milão para transplante hepático em HCC?

Os critérios de Milão para transplante hepático em HCC incluem a presença de um único nódulo com diâmetro de até 5 cm, ou até três nódulos, nenhum com diâmetro superior a 3 cm. O paciente deve ter bom status de performance e ausência de invasão vascular ou metástases extra-hepáticas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo