Hepatocarcinoma: Diagnóstico em Pacientes Cirróticos

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 79a, é acompanhada com diagnóstico de cirrose criptogênica, traz em consulta ultrassonografia de abdome mostrando nódulo hipoecogênico de 2,0cm de diâmetro em segmento hepático III. Exames complementares: alfafetoproteína elevada. Tomografia computadorizada de abdome: nódulo com realce intenso pelo contraste na fase arterial e hipodenso na fase portal. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:

Alternativas

Pérola Clínica

Nódulo hepático em cirrótico + AFP ↑ + realce arterial/washout portal na TC → Hepatocarcinoma.

Resumo-Chave

Em pacientes com cirrose, a presença de um nódulo hepático com características radiológicas típicas (hipervascularização arterial e washout na fase portal) e alfafetoproteína elevada é altamente sugestiva de hepatocarcinoma, mesmo sem biópsia em muitos casos.

Contexto Educacional

O hepatocarcinoma (HCC) é o câncer primário de fígado mais comum e está fortemente associado à cirrose hepática, independentemente da etiologia. A incidência de HCC tem aumentado globalmente, tornando seu diagnóstico precoce crucial para a sobrevida do paciente. O rastreamento regular com ultrassonografia e, por vezes, alfafetoproteína, é recomendado para pacientes com cirrose. O diagnóstico de HCC em pacientes cirróticos é frequentemente estabelecido por critérios radiológicos, sem a necessidade de biópsia, seguindo as diretrizes de sociedades como a AASLD ou EASL. A tomografia computadorizada e a ressonância magnética com contraste são os exames de escolha, buscando o padrão clássico de realce arterial intenso e "washout" (hipodensidade/hipointensidade) na fase portal ou tardia. A alfafetoproteína (AFP) elevada (>400 ng/mL) pode corroborar o diagnóstico, mas não é mandatória. O manejo do HCC depende do estágio da doença, função hepática e condição geral do paciente. Opções incluem ressecção cirúrgica, transplante hepático, ablação por radiofrequência, quimioembolização transarterial (TACE) e terapias sistêmicas. O prognóstico melhora significativamente com o diagnóstico precoce, reforçando a importância do rastreamento e da interpretação correta dos exames de imagem.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para hepatocarcinoma em pacientes cirróticos?

Os principais critérios incluem características radiológicas típicas em exames como TC ou RM (hipervascularização arterial e washout na fase portal) e, em alguns casos, níveis elevados de alfafetoproteína, especialmente em nódulos >1cm.

Qual o papel da alfafetoproteína no diagnóstico do hepatocarcinoma?

A alfafetoproteína (AFP) é um marcador tumoral que, quando elevada, pode auxiliar no diagnóstico de HCC, especialmente em conjunto com achados de imagem. No entanto, não é específica e pode estar normal em até 40% dos casos.

Como diferenciar um nódulo benigno de um hepatocarcinoma em um fígado cirrótico?

A diferenciação é feita principalmente por critérios de imagem. Nódulos benignos em cirróticos (como nódulos displásicos) geralmente não apresentam o padrão de realce arterial e washout portal típico do HCC. A biópsia pode ser necessária em casos atípicos.

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