Tratamento do Hepatocarcinoma: Critérios de Milão e Transplante

ENARE/ENAMED — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 60 anos, portador de cirrose hepática por vírus C (Child B), evoluiu com nódulo de 2,5 cm em segmento V do fígado e outro de 2 cm em segmento II, ambos com características radiológicas de hepatocarcinoma. A alfa-fetoproteína sérica estava em 840 ng/mL. A melhor terapêutica nesse caso é:

Alternativas

  1. A) Bissegmentectomia hepática.
  2. B) Hepatectomia direita.
  3. C) Ablação com radiofrequência.
  4. D) Transplante hepático.
  5. E) Quimioembolização.

Pérola Clínica

HCC em cirrótico Child B/C dentro dos Critérios de Milão (1<5cm ou 3<3cm) → Transplante Hepático.

Resumo-Chave

O transplante hepático é a terapia de escolha para pacientes com hepatocarcinoma dentro dos Critérios de Milão que apresentam disfunção hepática (Child B ou C).

Contexto Educacional

O manejo do hepatocarcinoma (HCC) é complexo e depende tanto do estadiamento do tumor quanto da gravidade da cirrose subjacente. O sistema BCLC (Barcelona Clinic Liver Cancer) é o mais utilizado para guiar a conduta. Para tumores em estágio inicial (nódulos pequenos) em fígados com função preservada (Child A), a ressecção ou ablação podem ser consideradas. No entanto, quando há hipertensão portal clinicamente significativa ou disfunção hepática (Child B/C), o transplante hepático torna-se a melhor opção curativa, desde que respeitados os Critérios de Milão. A quimioembolização (TACE) é geralmente reservada para estágios intermediários (BCLC B) ou como terapia de ponte para o transplante, visando evitar a progressão da doença enquanto o paciente aguarda em lista.

Perguntas Frequentes

O que são os Critérios de Milão para hepatocarcinoma?

Os Critérios de Milão são utilizados para selecionar candidatos ao transplante hepático com hepatocarcinoma. Eles definem que o paciente é elegível se apresentar: um nódulo único de até 5 cm OU até três nódulos, cada um com no máximo 3 cm, sem evidência de invasão vascular ou doença extra-hepática. Pacientes dentro desses critérios apresentam sobrevida pós-transplante comparável a pacientes transplantados por doenças não malignas.

Por que o transplante é preferível à ressecção no Child B?

Pacientes Child-Pugh B ou C possuem uma reserva funcional hepática limitada. A ressecção de parte do parênquima (hepatectomia) nesses casos frequentemente evolui com descompensação hepática grave e óbito. O transplante é a terapia ideal porque remove simultaneamente o tumor e o fígado cirrótico (doença de base), prevenindo o surgimento de novos tumores primários.

Qual a importância da alfa-fetoproteína (AFP) no HCC?

A AFP é um marcador tumoral que auxilia no diagnóstico e no acompanhamento do hepatocarcinoma. Valores muito elevados (como 840 ng/mL no caso) reforçam a suspeita diagnóstica em nódulos com padrão radiológico típico (wash-in e wash-out). Além disso, níveis de AFP acima de 1000 ng/mL podem ser um critério de exclusão para transplante em alguns protocolos devido ao alto risco de recorrência.

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