UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020
Paciente sexo masculino, 55 anos, com cirrose hepática por hepatite B crônica, apresenta-se com elevação marcada da alfa-fetoproteína (resultado: 958 ng/ml, normal até 10) e tomografia de abdome superior mostrando uma massa hepática hipervascular de 7 x 5 cm com sinais de invasão da veia porta. Nesse contexto, o diagnóstico de hepatocarcinoma
Hepatocarcinoma em cirrótico: Nódulo >1cm + 2 métodos de imagem típicos OU 1 método + AFP >200 ng/mL = diagnóstico sem biópsia.
Em pacientes cirróticos, o diagnóstico de hepatocarcinoma pode ser estabelecido por critérios não invasivos, combinando achados de imagem típicos (massa hipervascular com wash-out) e/ou níveis elevados de alfa-fetoproteína, especialmente na presença de invasão vascular. A biópsia é reservada para casos atípicos ou sem critérios diagnósticos claros.
O hepatocarcinoma (HCC) é o tipo mais comum de câncer primário de fígado e geralmente se desenvolve em pacientes com doença hepática crônica subjacente, sendo a cirrose hepática o principal fator de risco. A vigilância de pacientes cirróticos com ultrassonografia e, por vezes, alfa-fetoproteína (AFP), é crucial para a detecção precoce. O diagnóstico de HCC em pacientes cirróticos é único, pois pode ser estabelecido por critérios não invasivos, dispensando a biópsia em muitos casos. As diretrizes internacionais (como as da AASLD - American Association for the Study of Liver Diseases e EASL - European Association for the Study of the Liver) recomendam que, na presença de cirrose, um nódulo hepático >1 cm com características radiológicas típicas (hipervascularização arterial e wash-out na fase portal ou tardia) em dois métodos de imagem (TC ou RM) é diagnóstico. Alternativamente, um nódulo >1 cm com características típicas em um método de imagem, associado a níveis de AFP >200 ng/mL, também é considerado diagnóstico. No caso apresentado, o paciente cirrótico com hepatite B crônica, uma massa hepática hipervascular de 7x5 cm com invasão da veia porta e AFP marcadamente elevada (958 ng/ml), preenche os critérios para um diagnóstico não invasivo de hepatocarcinoma. A invasão da veia porta é um sinal de agressividade tumoral e um critério adicional que reforça o diagnóstico. A biópsia é geralmente reservada para casos onde os critérios não invasivos não são totalmente preenchidos ou há dúvida diagnóstica, devido ao risco de complicações e à possibilidade de semeadura tumoral.
Em pacientes com cirrose, o diagnóstico de hepatocarcinoma pode ser feito sem biópsia se houver um nódulo hepático >1 cm com características radiológicas típicas (hipervascularização arterial e wash-out na fase portal/tardia) em dois métodos de imagem, ou em um método de imagem com AFP >200 ng/mL.
A alfa-fetoproteína (AFP) é um marcador tumoral importante. Níveis marcadamente elevados (geralmente >200 ng/mL) em um paciente cirrótico com um nódulo hepático com características de imagem típicas podem confirmar o diagnóstico de hepatocarcinoma, mesmo com apenas um método de imagem.
Os achados típicos em exames de imagem (tomografia ou ressonância) incluem um nódulo que apresenta realce arterial (hipervascularização na fase arterial) e subsequente 'wash-out' (perda de contraste) nas fases portal ou tardia, além de possível invasão vascular.
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