Hepatocarcinoma em Cirrose: Investigação com TC Contraste

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 55 anos, sexo masculino, portador de cirrose hepática pelo VHC, apresenta-se no seu consultório com história de seis semanas com fadiga e distensão abdominal. Portador de varizes de esôfago. Exames bioquímicos: bilirrubinas: 2,3mg/dl (normal < 1,0); fosfatase alcalina = 176 U/L (normal < 150); AST = 165 U/L (normal < 36); ALT = 90 U/L (normal < 36) albumina sérica = 2,9g/dl (normal =3,5-5,0) e alfafetoproteína = 224 ng/dl (normal < 10). Diante dessa situação, qual seria a sua indicação? 

Alternativas

  1. A) Ultrassonografia do abdômen superior com Doppler do sistema portal.
  2. B) Tomografia do abdômen com contraste endovenoso. 
  3. C) Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE).
  4. D) Biópsia hepática.

Pérola Clínica

Cirrose + AFP ↑ + distensão abdominal → Suspeita de hepatocarcinoma, investigar com TC abdome c/ contraste.

Resumo-Chave

Em um paciente cirrótico com elevação da alfafetoproteína e sintomas como distensão abdominal e fadiga, a principal preocupação é o desenvolvimento de hepatocarcinoma. A tomografia de abdome com contraste é o exame de imagem mais adequado para caracterizar lesões hepáticas focais e estadiar a doença.

Contexto Educacional

O hepatocarcinoma (HCC) é o câncer primário de fígado mais comum e uma complicação grave da cirrose hepática, independentemente da etiologia. Pacientes com cirrose, como o descrito com VHC, têm um risco significativamente aumentado de desenvolver HCC, o que justifica programas de rastreamento regulares. A detecção precoce é crucial para o sucesso do tratamento. A elevação da alfafetoproteína (AFP) em um paciente cirrótico, juntamente com sintomas inespecíficos como fadiga e distensão abdominal, deve levantar forte suspeita de HCC. Embora a ultrassonografia seja o método de rastreamento inicial, a presença de achados suspeitos ou AFP elevada exige exames de imagem mais detalhados, como a tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) com contraste, para caracterizar lesões focais hepáticas. O tratamento do HCC depende do estágio da doença e da função hepática subjacente. Opções incluem ressecção cirúrgica, transplante hepático, ablação por radiofrequência, quimioembolização transarterial (TACE) e terapias sistêmicas. A decisão terapêutica é complexa e deve ser individualizada, visando a melhor sobrevida e qualidade de vida para o paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da alfafetoproteína (AFP) em pacientes com cirrose?

A alfafetoproteína é um marcador tumoral que, quando elevada em pacientes com cirrose, pode indicar o desenvolvimento de hepatocarcinoma (HCC). Embora não seja diagnóstica por si só, sua elevação é um forte indicativo para investigação adicional.

Por que a tomografia de abdome com contraste é preferível à ultrassonografia neste caso?

A ultrassonografia é útil para rastreamento, mas a tomografia computadorizada (TC) com contraste oferece melhor caracterização de lesões focais hepáticas, permitindo avaliar padrões de realce e washout típicos do HCC, além de estadiar a doença e buscar metástases.

Quais são os fatores de risco para hepatocarcinoma em pacientes com cirrose?

Os principais fatores de risco incluem a própria cirrose (especialmente por VHC ou VHB), etilismo crônico, hemocromatose, esteato-hepatite não alcoólica (NASH) e exposição a aflatoxinas.

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