HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024
Paciente de 58 anos, masculino, dá entrada no Pronto Socorro com dor abdominal no hipocôndrio direito há 1 semana, com piora há 1 dia, associada a aumento de volume abdominal, sem febre. Paciente refere ser usuário de droga injetável há pelo menos 20 anos. Foram solicitados exames de sangue e uma ultrassonografia do abdome superior. Imagens a seguir: O laudo ultrassonográfico descreve: “material hipoecogênico amorfo, obliterando a luz da veia porta associado a líquido livre na cavidade abdominal, além de redução das dimensões hepáticas”. Exames laboratoriais: Para elucidação diagnóstica, qual é o método diagnóstico mais adequado?
Usuário de droga injetável + cirrose + trombose de porta → Investigar Hepatites B e C.
Em pacientes com sinais de hepatopatia crônica e histórico de risco parenteral, a triagem sorológica para hepatites virais é o passo inicial fundamental para identificar a etiologia.
A abordagem diagnóstica de um paciente com sinais de hepatopatia crônica deve sempre começar pela história clínica e epidemiológica. O uso de drogas injetáveis é um marcador forte para hepatites B e C, que são as principais causas de cirrose e suas complicações, como a trombose da veia porta e a ascite. A ultrassonografia é excelente para triagem, mostrando a morfologia hepática e a patência vascular, mas a etiologia requer confirmação laboratorial. A estabilização clínica e a identificação do agente causal permitem o manejo adequado da hipertensão portal e a prevenção de novos eventos trombóticos ou descompensações.
As sorologias para hepatites B e C são métodos não invasivos, altamente sensíveis e específicos para identificar a causa da hepatopatia crônica em pacientes de risco. A biópsia hepática é reservada para casos onde o diagnóstico etiológico permanece incerto após exames laboratoriais ou para estadiamento de fibrose quando métodos não invasivos como a elastografia não estão disponíveis ou são inconclusivos. No contexto de um paciente com sinais claros de cirrose e fator de risco epidemiológico, a confirmação viral é a prioridade diagnóstica imediata.
O uso de drogas injetáveis é um fator de risco clássico para a transmissão de vírus hepatotrópicos (HBV e HCV). A infecção crônica por esses vírus leva à cirrose hepática. Na cirrose, a alteração do fluxo sanguíneo (estase portal) e o estado pró-trombótico sistêmico predispõem à trombose da veia porta. Portanto, a trombose de porta em um usuário de drogas é frequentemente uma complicação de uma cirrose subjacente causada por hepatite viral não tratada.
O material hipoecogênico que oblitera a luz da veia porta na ultrassonografia é altamente sugestivo de trombose da veia porta. Em um fígado com dimensões reduzidas e ascite, isso reforça o diagnóstico de hipertensão portal secundária à cirrose. É fundamental diferenciar o trombo cruento (coágulo) de um trombo tumoral (invasão por hepatocarcinoma), o que pode exigir exames de imagem contrastados como TC ou RM, mas a investigação da causa base (hepatite) permanece prioritária.
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