Hepatite Viral Aguda: Interpretação de Exames Hepáticos

FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2024

Enunciado

Os resultados laboratoriais de um paciente de 45 anos com sintomas de disfunção hepática indicam: transaminases 12x acima do valor de referência, Fosfatase Alcalina (FA) 3x acima, e ALT > AST, transaminases superiores a 1000 U/L. Seguindo as regras do MACETE (MED 2013), é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) Síndrome é colestática, pois FA está 3x acima do valor de referência.
  2. B) Níveis elevados de transaminases sugerem Hepatite Viral Aguda.
  3. C) AST maior do que 2x ALT indica Hepatite Alcoólica.
  4. D) Paciente não tem síndrome hepatocelular; transaminases 12x acima do valor de referência.

Pérola Clínica

Transaminases > 1000 U/L com ALT > AST = Hepatite Viral Aguda ou DILI grave. Padrão hepatocelular.

Resumo-Chave

Níveis de transaminases acima de 1000 U/L, especialmente com ALT > AST, são altamente sugestivos de lesão hepatocelular aguda grave, sendo a hepatite viral aguda uma das principais causas. A elevação da Fosfatase Alcalina em 3x o valor de referência, embora presente, é secundária ao predomínio da lesão hepatocelular.

Contexto Educacional

A avaliação da função hepática por meio de exames laboratoriais é crucial para o diagnóstico e manejo das hepatopatias. A interpretação das enzimas hepáticas, como transaminases (ALT e AST), Fosfatase Alcalina (FA) e Gama-Glutamil Transferase (GGT), permite classificar a lesão hepática em padrões hepatocelular, colestático ou misto. O padrão hepatocelular é caracterizado pela elevação predominante de ALT e AST, indicando dano aos hepatócitos. Níveis de transaminases acima de 1000 U/L são sugestivos de lesão hepatocelular aguda grave, com as principais causas sendo hepatites virais agudas (A, B, C, E), lesão hepática induzida por drogas (DILI), hepatite isquêmica e doenças autoimunes. A relação ALT > AST é típica de hepatites virais e DILI, enquanto AST > 2x ALT é um marcador clássico de hepatite alcoólica. A elevação da FA, mesmo que 3x o valor de referência, em um cenário de transaminases muito mais elevadas, ainda aponta para um padrão predominantemente hepatocelular. Para residentes, é fundamental dominar a interpretação desses marcadores para guiar a investigação etiológica e o tratamento. A diferenciação entre os padrões de lesão hepática é o primeiro passo para direcionar exames adicionais e estabelecer um diagnóstico preciso, evitando condutas inadequadas. A compreensão das nuances na elevação das enzimas hepáticas permite uma abordagem mais eficaz e personalizada para cada paciente com disfunção hepática.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais marcadores laboratoriais de lesão hepatocelular?

Os principais marcadores de lesão hepatocelular são as transaminases, alanina aminotransferase (ALT) e aspartato aminotransferase (AST). Elevações significativas, especialmente acima de 1000 U/L, indicam necrose hepatocelular aguda.

Qual a importância da relação AST/ALT no diagnóstico das hepatopatias?

A relação AST/ALT é importante para diferenciar etiologias. Em hepatite viral aguda e lesão hepática induzida por drogas, a ALT geralmente é maior que a AST. Já na hepatite alcoólica, a AST é tipicamente pelo menos 2 vezes maior que a ALT, devido à deficiência de piridoxal-fosfato e dano mitocondrial.

Como diferenciar um padrão hepatocelular de um padrão colestático na lesão hepática?

No padrão hepatocelular, as transaminases (ALT e AST) estão predominantemente elevadas. No padrão colestático, a Fosfatase Alcalina (FA) e a Gama-Glutamil Transferase (GGT) estão desproporcionalmente elevadas em relação às transaminases, indicando obstrução do fluxo biliar ou lesão dos canalículos biliares.

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