Hepatite Aguda em Usuários de Drogas Injetáveis: Foco na Hepatite B

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021

Enunciado

Um homem de 23 anos de idade, membro de um grupo de usuário de drogas ilícitas injetáveis, comparece à consulta no ambulatório de clínica médica com relato de 'olhos amarelos e urina cor de mate'. Segundo informa, seu quadro clínico iniciou-se há cerca de 12 dias com mal-estar, febre (cerca de 38 °C), coriza e mialgias. Dois dias após, observou disgeusia e anosmia, além de diarreia. Procurou unidade de pronto atendimento, sendo agendada pesquisa para COVID-19, que foi realizada no 5.°dia de evolução da doença, com resultado negativo. Passou a apresentar, também, dor abdominal (especialmente no hipocôndrio direito) e fadiga vespertina. Há 2 dias, observou que suas escleras ficaram amareladas e a sua urina assumiu aspecto sugestivo de colúria. Foi à mesma unidade onde havia sido atendido  inicialmente, sendo solicitados exames complementares que são trazidos pelo paciente à consulta atual e que revelam: TGO/AST = 982 UI/L (valor de referência: 20 a 40 UI/L); ALT/TGP: 1 220 UI/L (valor de referência: 20 a 40 UI/L); bilirrubinas totais = 4,2 mg/dL (valor de referência: 0,2 a 0,8 mg/dL), com predomínio da fração direta (3,6 mg/dL - valor de referência: 0,1 a 0,5 mg/dL); hemograma com leucopenia e linfocitose, sem anemia; INR e tempo de tromboplastina parcial ativada normais. Em razão desses resultados, o paciente foi encaminhado ao ambulatório para complementação da investigação diagnóstica, tratamento e acompanhamento. Ao exame físico, o paciente encontra-se em razoável estado geral, estando com as escleras e a mucosa sublingual ictéricas, além de apresentar leve hepatomegalia (13 cm de extensão ao nível da linha hemiclavicular direita) dolorosa, com sinal de Murphy negativo. Acerca do caso desse paciente, pode-se afirmar que o diagnóstico mais provável e a lógica subjacente a tal conclusão são

Alternativas

  1. A) hepatite viral pelo vírus da hepatite C, por ser a causa mais comum de hepatite viral de apresentação aguda. 
  2. B) hepatite autoimune do tipo 1, em função do gênero do paciente (sexo masculino) e do nível de transaminases. 
  3. C) hepatite viral aguda pelo vírus da hepatite B, em razão do paciente ser usuário de drogas ilícitas injetáveis.
  4. D) leptospirose íctero-hemorrágica, em razão do leucograma e níveis séricos das aminotransferases. 

Pérola Clínica

Usuário de drogas injetáveis com hepatite aguda (icterícia, colúria, transaminases ↑) → suspeitar fortemente de Hepatite B.

Resumo-Chave

Em usuários de drogas injetáveis com quadro de hepatite aguda (icterícia, colúria, elevação acentuada de transaminases), a hepatite viral aguda, especialmente a Hepatite B, é o diagnóstico mais provável devido à via de transmissão parenteral. A pesquisa de marcadores virais é fundamental para a confirmação diagnóstica e manejo adequado.

Contexto Educacional

A hepatite viral aguda é uma inflamação do fígado causada por vírus específicos, sendo os tipos A, B, C, D e E os mais comuns. Em populações de risco, como usuários de drogas ilícitas injetáveis, a transmissão parenteral de vírus como o da hepatite B (HBV) e C (HCV) é uma preocupação significativa, levando a quadros agudos e, por vezes, crônicos, com alto impacto na saúde pública. O quadro clínico de hepatite aguda é caracterizado por sintomas prodrômicos inespecíficos (febre, mal-estar, mialgias) seguidos por fase ictérica (icterícia, colúria, acolia fecal). Laboratorialmente, observa-se elevação marcante das transaminases (AST/ALT), hiperbilirrubinemia com predomínio da fração direta. A história de uso de drogas injetáveis aponta fortemente para hepatites B ou C, exigindo investigação específica. O diagnóstico diferencial deve incluir outras causas de hepatite, mas a epidemiologia é crucial. Para hepatite B aguda, a presença de HBsAg e anti-HBc IgM é diagnóstica. O manejo é principalmente de suporte, com monitoramento da função hepática e identificação de complicações. A prevenção, através de vacinação (para HBV) e redução de danos, é fundamental para controlar a disseminação dessas infecções.

Perguntas Frequentes

Quais os principais marcadores laboratoriais de hepatite viral aguda?

Os principais marcadores incluem elevação acentuada de transaminases (AST/ALT), bilirrubinas (com predomínio da direta) e, para hepatite B, a presença de HBsAg e anti-HBc IgM, que indicam infecção aguda.

Por que a hepatite B é a mais provável em usuários de drogas injetáveis?

A hepatite B é transmitida por via parenteral (compartilhamento de agulhas), sexual e vertical. A via parenteral é um fator de risco significativo para usuários de drogas injetáveis, tornando a infecção pelo HBV altamente provável nesse grupo.

Quais os sintomas clássicos de hepatite aguda?

Os sintomas clássicos de hepatite aguda incluem uma fase prodrômica com mal-estar, fadiga, febre, náuseas, vômitos e dor em hipocôndrio direito, seguida por icterícia (olhos amarelos) e colúria (urina escura).

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