UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Mulher, 32a, gestante de 29 semanas, assintomática, foi encaminhada ao Pré-natal Especializado por apresentar os seguintes exames laboratoriais, coletados há sete dias: hemoglobina=12,1g/dL; hematócrito=36,4%; plaquetas=210.000/mm³; AST=15U/L; ALT=17U/L; HBsAg=positivo; anti-HBs=negativo; HBeAg=positivo; anti-HBe=negativo; anti-HBc=positivo. A CONDUTA É:
Gestante HBsAg+ e HBeAg+ (replicação ativa) → Tenofovir a partir do 2º/3º trimestre + vacina e imunoglobulina para RN.
Em gestantes com hepatite B crônica e replicação viral ativa (HBeAg positivo), o risco de transmissão vertical é alto. O tratamento com tenofovir a partir do segundo ou terceiro trimestre reduz a carga viral materna e, consequentemente, o risco de transmissão. A profilaxia do recém-nascido com vacina e imunoglobulina é sempre indicada, independentemente do tratamento materno.
A infecção por Hepatite B na gravidez representa um risco significativo de transmissão vertical para o recém-nascido, que pode evoluir para infecção crônica em até 90% dos casos se não houver intervenção. A triagem universal para HBsAg em gestantes é crucial. A interpretação dos marcadores sorológicos é fundamental: HBsAg positivo indica infecção, e HBeAg positivo sugere replicação viral ativa e alta infectividade, elevando o risco de transmissão vertical. Para gestantes com HBsAg positivo e HBeAg positivo (ou alta carga viral), a conduta atual preconiza o tratamento antiviral materno com tenofovir a partir do segundo ou terceiro trimestre de gestação. O objetivo é reduzir a carga viral materna ao máximo no momento do parto, minimizando o risco de transmissão. O tenofovir é considerado seguro na gravidez e tem demonstrado eficácia nesse cenário. A decisão de iniciar o tratamento deve considerar a carga viral e a presença de HBeAg. Além do tratamento materno, a profilaxia do recém-nascido é um pilar essencial. Todos os recém-nascidos de mães HBsAg positivas devem receber a vacina contra hepatite B e a imunoglobulina anti-hepatite B (HBIG) nas primeiras 12 horas de vida. Essa combinação oferece proteção imediata e a longo prazo, sendo altamente eficaz na prevenção da infecção neonatal. Residentes devem dominar a interpretação dos exames e as diretrizes de manejo para garantir a saúde da mãe e do bebê.
A presença de HBsAg positivo (infecção crônica), HBeAg positivo (replicação viral ativa) e anti-HBc positivo (contato prévio com o vírus) em uma gestante, especialmente com carga viral elevada, indica alta replicação viral e maior risco de transmissão vertical.
O tenofovir é o antiviral de escolha devido à sua eficácia em reduzir a carga viral do HBV e ao seu perfil de segurança estabelecido na gravidez (categoria B). Ele é administrado no segundo ou terceiro trimestre para diminuir a viremia materna e, consequentemente, o risco de transmissão vertical para o recém-nascido.
A administração de vacina e imunoglobulina contra hepatite B ao recém-nascido nas primeiras 12 horas de vida é fundamental para conferir imunidade passiva e ativa, respectivamente, e prevenir a transmissão vertical. Essa profilaxia é essencial e deve ser realizada independentemente do tratamento antiviral materno.
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