UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Para a prevenção da transmissão vertical da hepatite c, é necessário:
Prevenção de HCV vertical = Evitar procedimentos invasivos (amniocentese/fórceps); parto e amamentação são permitidos.
A prevenção da transmissão vertical da Hepatite C baseia-se na redução de traumas fetais durante o pré-natal e parto, já que não há tratamento antiviral seguro na gestação.
A taxa de transmissão vertical da Hepatite C gira em torno de 5% em mães com carga viral detectável, subindo para cerca de 10-15% em casos de coinfecção com HIV. O rastreio universal de HCV no pré-natal é recomendado por diversas sociedades internacionais devido ao aumento da prevalência em mulheres em idade fértil. Como não dispomos de vacina ou tratamento curativo aprovado para uso gestacional, o manejo obstétrico é a chave. Deve-se evitar a ruptura prolongada de membranas (bolsa rota por mais de 6 horas aumenta o risco) e priorizar técnicas de parto menos traumáticas. O diagnóstico da criança é feito através da pesquisa do RNA-HCV após os 2 meses de vida ou por sorologia (Anti-HCV) após os 18 meses, para evitar a interferência dos anticorpos maternos que atravessam a placenta.
A transmissão vertical do vírus da hepatite C (HCV) ocorre principalmente no momento do parto, através do contato do feto com sangue e secreções maternas contaminadas. Procedimentos invasivos durante a gestação, como a amniocentese, biópsia de vilo corial ou o uso de eletrodos no escalpo fetal e fórceps durante o parto, podem causar microtransfusões de sangue materno para o feto ou lesões cutâneas que facilitam a entrada do vírus. Portanto, evitar tais intervenções reduz a exposição direta do feto ao vírus, diminuindo o risco de infecção neonatal.
Atualmente, o tratamento da Hepatite C com antivirais de ação direta (DAAs) não é recomendado durante a gestação. Embora esses medicamentos sejam altamente eficazes e seguros em adultos, ainda faltam estudos robustos de segurança que garantam a ausência de teratogenicidade ou efeitos adversos no desenvolvimento fetal. O tratamento deve ser planejado para o período pós-parto. Assim, a prevenção foca exclusivamente em medidas obstétricas para minimizar a exposição viral.
Diferente do HIV, a via de parto na Hepatite C não altera significativamente o risco de transmissão vertical; portanto, a indicação de cesariana deve ser restrita a causas obstétricas. Quanto à amamentação, ela é permitida e incentivada, pois o HCV não é transmitido pelo leite materno. A única ressalva é em caso de mamilos fissurados ou sangrantes, situação em que a amamentação deve ser temporariamente suspensa no seio afetado até a cicatrização, para evitar que o recém-nascido ingira sangue materno contaminado.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo