Hepatite B na Gestação: Prevenção da Transmissão Vertical

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2020

Enunciado

A hepatite B tem grande importância obstétrica pela elevada taxa de transmissão vertical, gravidade da infecção neonatal e possibilidade de prevenção. Sobre esse tema, marque a opção CORRETA:

Alternativas

  1. A) Gestante HBsAg positivo e HBeAg positivo deve receber tenofovir a partir de 28 semanas até 4 semanas pós-parto.
  2. B) A via de transmissão ao recém nascido é o parto, havendo indicação de cesariana eletiva nas gestantes com carga viral HB-DNA acima de 10⁷/ml.
  3. C) Recém-nascido de mãe HBsAg positivo e HBeAg negativo pode ser tratado apenas com vacinação, sendo a primeira dose aplicada nas primeiras 12 horas pós parto.
  4. D) Puérpera HBsAg positivo deve ser orientada a suspender a amamentação até o recém nascido completar o esquema de vacinação.

Pérola Clínica

Gestante HBsAg+ e HBeAg+ → Tenofovir a partir de 28 semanas para reduzir transmissão vertical de hepatite B.

Resumo-Chave

A profilaxia com tenofovir em gestantes HBsAg e HBeAg positivos, com alta carga viral, a partir do terceiro trimestre (28 semanas), é fundamental para reduzir significativamente o risco de transmissão vertical do vírus da hepatite B para o recém-nascido, complementando a imunoprofilaxia neonatal.

Contexto Educacional

A hepatite B na gestação representa um desafio significativo devido ao alto risco de transmissão vertical, que pode levar à infecção crônica em até 90% dos recém-nascidos, com graves consequências a longo prazo, como cirrose e carcinoma hepatocelular. A triagem universal para HBsAg em todas as gestantes é, portanto, uma medida crucial de saúde pública. A identificação de gestantes HBsAg positivo permite a implementação de estratégias preventivas eficazes. A principal via de transmissão é perinatal, durante o parto, pelo contato do recém-nascido com o sangue e fluidos maternos. A transmissão intrauterina é rara. Para gestantes com HBsAg positivo e HBeAg positivo, ou com alta carga viral de HBV-DNA, a terapia antiviral com tenofovir a partir do terceiro trimestre (28 semanas) é recomendada. O objetivo é suprimir a replicação viral materna e, consequentemente, reduzir a carga viral no momento do parto, diminuindo o risco de transmissão. O tratamento é mantido até 4 semanas pós-parto. A imunoprofilaxia neonatal é a pedra angular da prevenção. Todo recém-nascido de mãe HBsAg positivo deve receber a primeira dose da vacina contra hepatite B e a imunoglobulina humana anti-hepatite B (IGHB) nas primeiras 12 horas de vida. A amamentação não é contraindicada para mães HBsAg positivo, desde que o recém-nascido tenha recebido a imunoprofilaxia completa. O manejo adequado da gestante e do recém-nascido é essencial para erradicar a transmissão vertical da hepatite B.

Perguntas Frequentes

Qual a principal via de transmissão vertical da hepatite B?

A principal via de transmissão vertical da hepatite B ocorre durante o parto, pelo contato do recém-nascido com sangue e secreções maternas. A transmissão intrauterina é rara, e a amamentação não é contraindicada se o bebê receber a imunoprofilaxia adequada.

Quando o tenofovir é indicado para gestantes com hepatite B?

O tenofovir é indicado para gestantes HBsAg positivo e HBeAg positivo, ou com alta carga viral de HBV-DNA (geralmente > 200.000 UI/mL ou 10^6 cópias/mL), a partir da 28ª semana de gestação até 4 semanas pós-parto, visando reduzir a replicação viral e o risco de transmissão.

Qual a conduta para o recém-nascido de mãe HBsAg positivo?

Todo recém-nascido de mãe HBsAg positivo deve receber a primeira dose da vacina contra hepatite B e a imunoglobulina humana anti-hepatite B (IGHB) nas primeiras 12 horas de vida. Isso confere proteção passiva e ativa, sendo a medida mais eficaz para prevenir a infecção neonatal.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo