Hepatite B na Gestação: Prevenção da Transmissão Vertical e Conduta

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020

Enunciado

Gestante de 26 anos, idade gestacional de 22 semanas, interrompeu uso de drogas injetáveis há dois anos. Apresenta os seguintes exames em consulta de pré-natal: sorologia positiva para hepatite B (HbsAg e HbeAg) e sorologias negativas para sífilis, HIV e hepatite C. Considerando o caso exposto, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Orientar parto cesárea e inibir lactação.
  2. B) Tratar hepatite B durante a gestação e indicar parto por via obstétrica.
  3. C) Recomendar parto por via obstétrica e orientar profilaxia do RN com vacina e imunoglobulina.
  4. D) A transmissão vertical independe da via de parto e aleitamento, não havendo medidas para proteção do RN.
  5. E) Recomendar parto cesárea, suspender aleitamento e orientar profilaxia do RN com vacina e imunoglobulina.

Pérola Clínica

Gestante HBsAg+ e HBeAg+ → parto vaginal seguro + RN recebe vacina e IGHAB nas primeiras 12h.

Resumo-Chave

Em gestantes com Hepatite B (HBsAg e HBeAg positivos), a principal medida para prevenir a transmissão vertical é a profilaxia do recém-nascido com vacina e imunoglobulina anti-hepatite B (IGHAB) nas primeiras 12 horas de vida. A via de parto vaginal não aumenta o risco de transmissão, e o aleitamento materno é permitido.

Contexto Educacional

A infecção por Hepatite B na gestação é uma preocupação significativa devido ao alto risco de transmissão vertical para o recém-nascido, que pode resultar em infecção crônica e suas complicações a longo prazo. A presença de HBsAg e, especialmente, HBeAg positivos na mãe indica alta viremia e maior probabilidade de transmissão. O rastreamento universal para HBsAg no pré-natal é, portanto, mandatório. A principal estratégia para prevenir a transmissão vertical é a imunoprofilaxia passiva-ativa do recém-nascido. Isso consiste na administração da primeira dose da vacina contra Hepatite B e da Imunoglobulina Humana Anti-Hepatite B (IGHAB) nas primeiras 12 horas de vida, preferencialmente na sala de parto. Essa medida combinada é altamente eficaz na redução do risco de infecção neonatal. É um equívoco comum pensar que a cesariana ou a suspensão do aleitamento materno são necessárias. A via de parto não influencia significativamente o risco de transmissão, e o aleitamento materno é seguro para o bebê imunizado. Em casos de alta carga viral materna, pode-se considerar o tratamento antiviral durante a gestação para reduzir ainda mais o risco de transmissão, mas essa decisão é individualizada e baseada em critérios específicos.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do HBsAg e HBeAg positivos na gestante?

HBsAg positivo indica infecção crônica ou aguda. HBeAg positivo indica alta replicação viral e maior infectividade, com risco elevado de transmissão vertical para o recém-nascido, exigindo atenção especial.

Quais são as medidas profiláticas para o recém-nascido de mãe com Hepatite B?

O recém-nascido deve receber a primeira dose da vacina contra Hepatite B e a Imunoglobulina Humana Anti-Hepatite B (IGHAB) nas primeiras 12 horas de vida, idealmente na sala de parto, para conferir proteção imediata e duradoura.

A via de parto e o aleitamento materno são contraindicados em mães com Hepatite B?

Não. A via de parto vaginal não aumenta o risco de transmissão vertical em comparação com a cesariana, e o aleitamento materno é seguro, desde que o recém-nascido tenha recebido a profilaxia adequada.

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