INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Uma mulher de 45 anos de idade, portadora do vírus da hepatite C, genótipo 1b, compareceu à consulta para mostrar resultados de exames e definir continuidade de tratamento. Ela apresenta quadro de cirrose compensada (escore de Child-Pugh = 6 pontos) e critérios de fibrose hepática extensa, sem tratamento específico prévio. Na avaliação pré-tratamento, ela apresentava carga viral de 2 milhões de cópias/mL. Foi prescrita terapia tripla para o vírus C (interferon peguilado, ribavirina e telaprevir). A paciente está em uso da medicação há 12 semanas e a carga viral na semana 12 foi de 500 cópias/mL. A paciente não apresenta outras infecções. Com base nas Diretrizes Terapêuticas para Hepatite C do Ministério da Saúde de 2013, conclui-se que não houve resposta ao telaprevir. Em vista disso, qual é o esquema terapêutico recomendado para essa paciente?
PCDT 2013: Carga viral detectável < 1000 na sem 12 → Suspende Telaprevir, mantém Peg-IFN/RBV até sem 48.
No protocolo de terapia tripla com Telaprevir, a detecção de carga viral < 1000 UI/mL na semana 12 indica falha do inibidor de protease, mas permite a continuidade da base dupla.
A questão aborda um cenário histórico importante da hepatologia brasileira. Em 2013, o tratamento padrão para o genótipo 1 da Hepatite C envolvia a terapia tripla. O Telaprevir era utilizado apenas nas primeiras 12 semanas devido ao seu perfil de efeitos colaterais (exantema grave, anemia). A paciente apresenta cirrose compensada (Child A) e carga viral de 500 cópias na semana 12. De acordo com o PCDT da época, como o valor é inferior a 1000 UI/mL, não se interrompe tudo. A recomendação era cessar o Telaprevir e prosseguir com a dupla terapia (Peg-IFN + RBV) até a semana 48, monitorando a carga viral na semana 24 para decidir a manutenção final.
As regras de futilidade determinavam a interrupção do tratamento para evitar exposição desnecessária a drogas tóxicas sem chance de cura. Se a carga viral fosse > 1000 UI/mL nas semanas 4 ou 12, todo o tratamento deveria ser parado. Se fosse detectável, mas < 1000 UI/mL na semana 12, suspendia-se apenas o Telaprevir.
Embora o inibidor de protease (Telaprevir) não tenha alcançado a resposta virológica rápida esperada, a carga viral baixa sugere que a terapia de base (Interferon Peguilado e Ribavirina) ainda pode levar à Resposta Virológica Sustentada (RVS) se completado o ciclo de 48 semanas.
O tratamento evoluiu drasticamente com a chegada dos Antivirais de Ação Direta (DAAs) de segunda geração, como Sofosbuvir, Daclatasvir e esquemas pangenotípicos. Estes novos fármacos substituíram o Interferon, oferecendo taxas de cura superiores a 95% com menos efeitos colaterais.
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