SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2025
Sabe-se que o tratamento da hepatite B crônica deve ser mantido indefinidamente para controle da doença, entretanto alguns pacientes podem desenvolver lesão renal como efeito adverso. Qual o medicamento disponível para pacientes com comprometimento renal?
HBV + Lesão Renal ou Osteoporose → Tenofovir Alafenamida (TAF) é a escolha sobre o TDF.
O TAF possui maior estabilidade plasmática e menor concentração sistêmica que o TDF, resultando em menor toxicidade renal e óssea mantendo eficácia antiviral comparável.
O tratamento da Hepatite B crônica visa a supressão prolongada do DNA-HBV para prevenir cirrose e carcinoma hepatocelular. O Tenofovir Disoproxil Fumarato (TDF) foi por anos a primeira linha, mas sua associação com nefrotoxicidade e perda de massa óssea limitou seu uso em populações vulneráveis. O Tenofovir Alafenamida (TAF) surgiu como uma evolução terapêutica, oferecendo a mesma barreira genética contra resistência, mas com segurança renal e óssea significativamente superior. Em pacientes com ClCr < 60 mL/min, idosos ou com osteoporose prévia, o TAF ou o Entecavir (com ajuste de dose) são as condutas preconizadas pelos protocolos nacionais e internacionais (PCDT e EASL).
O Fumarato de Tenofovir Disoproxil (TDF) e o Tenofovir Alafenamida (TAF) são pró-fármacos do tenofovir, mas diferem na farmacocinética. O TDF é rapidamente convertido em tenofovir no plasma, gerando altos níveis circulantes que são filtrados pelos rins, podendo causar lesão tubular proximal (Síndrome de Fanconi) e redução da densidade mineral óssea. Já o TAF é mais estável no plasma e entra nos hepatócitos de forma mais eficiente. Isso permite o uso de doses muito menores (25mg vs 300mg), resultando em níveis plasmáticos de tenofovir 90% menores, o que reduz drasticamente a exposição renal e óssea sem comprometer a eficácia antiviral contra o HBV.
O Entecavir é uma excelente opção para pacientes com doença renal, pois não apresenta a nefrotoxicidade intrínseca associada ao tenofovir. No entanto, ele requer ajuste de dose rigoroso de acordo com o clearance de creatinina. Além disso, o Entecavir não deve ser utilizado em pacientes que já tiveram exposição prévia à Lamivudina, devido ao alto risco de desenvolvimento de resistência cruzada. Nesses casos, ou em pacientes com alta carga viral onde se deseja evitar resistência, o TAF torna-se a opção preferencial por manter a alta barreira genética do tenofovir com um perfil de segurança renal superior ao TDF.
A toxicidade renal pelo TDF manifesta-se classicamente como uma tubulopatia proximal, conhecida como Síndrome de Fanconi adquirida. Os sinais laboratoriais incluem aumento da creatinina sérica, hipofosfatemia (devido à perda renal de fosfato), glicosúria normoglicêmica, proteinúria tubular e acidose metabólica hiperclorêmica. O monitoramento regular da função renal e dos níveis de fosfato é obrigatório para pacientes em uso de TDF. Caso surjam sinais de disfunção, a transição para TAF ou Entecavir deve ser considerada para prevenir a progressão para insuficiência renal crônica ou osteomalácia.
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