UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020
Paciente do sexo masculino, de trinta e cinco anos de idade, procurou atendimento médico devido a achado de hepatite viral em screening de doação de sangue. Ele apresentava a seguinte sorologia: AgHBs positivo, anti-HBc total positivo, anti-HBs negativo, AgHBe negativo e anti-HBe positivo. Enzimas hepáticas normais e ultrassonografia de abdome sem alterações. Com relação a esse caso clínico, julgue o item que se segue. É essencial solicitar carga viral sorológica do vírus da hepatite B (PCR DNA VHB) para confirmar o diagnóstico desse paciente.
HBsAg+ por >6 meses define Hepatite B crônica; PCR quantifica replicação, não confirma diagnóstico inicial.
O diagnóstico de Hepatite B crônica é sorológico (HBsAg persistente). O PCR DNA VHB é fundamental para avaliar a fase da doença e a indicação de tratamento, mas não para o diagnóstico inicial.
A interpretação da sorologia da Hepatite B é um pilar da infectologia e gastroenterologia. O caso apresenta um perfil de infecção crônica HBeAg-negativa (antigo portador inativo), caracterizado por HBsAg+, anti-HBc total+, HBeAg- e anti-HBe+. A normalidade das enzimas hepáticas e da ultrassonografia reforça a baixa atividade inflamatória momentânea. O diagnóstico de Hepatite B já está firmado pelos marcadores sorológicos (HBsAg positivo). O PCR DNA VHB, embora essencial para o manejo clínico e para diferenciar o estado de portador inativo da hepatite crônica HBeAg-negativa (onde há mutação pré-core e carga viral elevada), não é o exame que 'confirma' a existência da infecção, que já é dada pelo HBsAg.
O diagnóstico de Hepatite B crônica é estabelecido pela presença do antígeno de superfície do vírus da hepatite B (HBsAg) no soro por um período superior a seis meses. Além do HBsAg, o anticorpo total contra o antígeno do core (anti-HBc total) costuma estar presente. A ausência de anti-HBs indica falta de imunidade resolutiva. O diagnóstico é essencialmente sorológico, baseado na persistência do antígeno viral, e não depende inicialmente da detecção do DNA viral por PCR, embora este último seja crucial para o seguimento e avaliação de tratamento.
O HBeAg é um marcador de replicação viral ativa e alta infectividade. Quando o paciente realiza a soroconversão para anti-HBe, geralmente ocorre uma redução na carga viral e na atividade inflamatória hepática. No entanto, existem variantes do vírus (mutantes pré-core) que não produzem HBeAg, mas mantêm alta replicação viral e lesão hepática. Portanto, a presença de anti-HBe com enzimas normais sugere um estado de portador inativo, mas requer monitoramento periódico do DNA-HBV e das transaminases para descartar hepatite crônica HBeAg-negativa.
O PCR para DNA do HBV deve ser solicitado após a confirmação da cronicidade (HBsAg+ por 6 meses) para auxiliar na classificação da fase da doença (ex: infecção crônica HBeAg-negativa vs. hepatite crônica HBeAg-negativa). Ele é indispensável para decidir o início da terapia antiviral, monitorar a resposta ao tratamento e detectar precocemente a resistência aos análogos de nucleosídeos/nucleotídeos. Também é útil em casos de HBsAg negativo com suspeita de hepatite B oculta ou em pacientes imunossuprimidos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo