TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025
Paciente masculino de 35 anos procurou atendimento numa unidade básica de saúde após terem sido realizados exames que evidenciaram: HBsAg (+), HBeAg (+), HBV-DNA: 140.000 IU/mL, ALT: 100, elastografia: 8,2 kPa. Qual deve ser o principal objetivo do tratamento com as medicações antivirais disponíveis?
Objetivo principal do tratamento da Hepatite B = Supressão sustentada do HBV-DNA.
O tratamento da Hepatite B visa a supressão viral máxima para prevenir progressão para cirrose e hepatocarcinoma; embora a cura (perda do HBsAg) seja o ideal, é raramente alcançada.
A Hepatite B crônica é uma infecção dinâmica que alterna entre fases de replicação viral e controle imunológico. O manejo clínico foca em interromper a cascata inflamatória que leva à fibrose. O uso de análogos de nucleosídeos/nucleotídeos (como Tenofovir ou Entecavir) é a base da terapia, agindo na inibição da transcriptase reversa viral. Embora a normalização da ALT e a perda do HBeAg sejam marcos positivos, a supressão do HBV-DNA é o parâmetro mais fidedigno de eficácia terapêutica e controle da doença.
A supressão do HBV-DNA é o objetivo mais alcançável e diretamente relacionado à redução da inflamação hepática, prevenção da progressão para cirrose e diminuição do risco de carcinoma hepatocelular (CHC). Como o vírus integra seu DNA ao genoma do hospedeiro (cccDNA), a erradicação completa é extremamente difícil. Portanto, manter a carga viral indetectável ou em níveis mínimos é a estratégia padrão para preservar a função hepática e melhorar o prognóstico a longo prazo do paciente.
A cura funcional é definida pela perda sustentada do HBsAg (com ou sem soroconversão para anti-HBs) e HBV-DNA indetectável no soro, refletindo o controle imunológico do vírus, embora o cccDNA permaneça no fígado. Já a cura parcial ou supressão virológica refere-se apenas à manutenção de níveis indetectáveis de HBV-DNA sob terapia antiviral, sem a perda do HBsAg. A maioria dos tratamentos atuais foca na supressão virológica, pois a perda do HBsAg ocorre em menos de 10% dos pacientes tratados.
A indicação baseia-se no tripé: níveis de HBV-DNA, níveis de ALT e grau de fibrose (elastografia ou biópsia). Geralmente, trata-se pacientes com HBV-DNA > 2.000 UI/mL e ALT acima do limite superior da normalidade, ou evidência de fibrose significativa (F2 ou superior). Pacientes com cirrose estabelecida devem ser tratados independentemente do HBeAg ou ALT se o HBV-DNA for detectável. Casos específicos como gestantes com alta carga viral ou pacientes em imunossupressão também requerem profilaxia ou tratamento.
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