HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2025
A abordagem laboratorial inicial e de rotina do paciente portador da hepatite C crônica possui múltiplos objetivos, sendo correto que:
Hepatite C crônica: Exames laboratoriais guiam tratamento, monitoram resposta e rastreiam CHC.
A abordagem laboratorial na hepatite C crônica é multifacetada, permitindo não apenas o diagnóstico e a avaliação da atividade viral, mas também a definição do momento e tipo de tratamento, a monitorização da resposta terapêutica e o rastreamento de complicações graves como o carcinoma hepatocelular (CHC).
A hepatite C crônica é uma infecção viral que afeta milhões de pessoas globalmente, sendo uma das principais causas de cirrose hepática, carcinoma hepatocelular (CHC) e transplante de fígado. A abordagem laboratorial é a pedra angular no manejo desses pacientes, desde o diagnóstico até o monitoramento pós-tratamento. A evolução dos antivirais de ação direta (DAAs) revolucionou o tratamento, tornando a cura virológica uma realidade para a maioria dos pacientes. A fisiopatologia da hepatite C envolve a replicação viral nos hepatócitos, levando a inflamação crônica e fibrose progressiva do fígado. Os exames laboratoriais permitem avaliar a atividade viral (HCV-RNA), identificar o genótipo viral (importante para a escolha do tratamento), e estimar o grau de lesão hepática (enzimas hepáticas, marcadores de fibrose). A resposta virológica sustentada (RVS), definida como HCV-RNA indetectável 12 ou 24 semanas após o término do tratamento, é considerada a cura da infecção. Os objetivos da abordagem laboratorial incluem: 1) Diagnóstico e confirmação da infecção ativa; 2) Avaliação da gravidade da doença hepática e do genótipo viral para guiar o tratamento; 3) Monitoramento da resposta ao tratamento e detecção de falhas terapêuticas; e 4) Rastreamento de complicações a longo prazo, como o CHC, especialmente em pacientes com cirrose, mesmo após a cura virológica. A detecção precoce do CHC é vital para um prognóstico favorável, geralmente realizada com ultrassonografia e alfa-fetoproteína a cada 6 meses.
Inicialmente, são essenciais o anti-HCV para triagem, o HCV-RNA para confirmar a infecção ativa e a genotipagem do HCV para guiar a escolha do antiviral. Além disso, exames para avaliar a função hepática (transaminases, bilirrubinas, albumina, INR) e o grau de fibrose (elastografia, APRI, FIB-4) são fundamentais.
A carga viral e a genotipagem do HCV definem o tipo de tratamento antiviral direto (DAA) a ser utilizado. O grau de fibrose hepática e a presença de cirrose influenciam a urgência do tratamento e a duração da terapia, além de determinar a necessidade de rastreamento para carcinoma hepatocelular.
Pacientes com hepatite C crônica, especialmente aqueles com fibrose avançada ou cirrose, têm um risco aumentado de desenvolver carcinoma hepatocelular (CHC). O rastreamento periódico com ultrassonografia abdominal e dosagem de alfa-fetoproteína permite a detecção precoce do CHC, melhorando as chances de tratamento curativo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo