TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023
Mulher de 28 anos de idade, procura ambulatório de clínica médica com queixas, há uma semana, de mal-estar, febre de baixa intensidade não aferida, inapetência, vômitos ocasionais e aversão a fumaça de cigarro, evoluindo com colúria e acolia fecal há três dias. Relata que costuma se alimentar em bares com baixo nível de higiene, próximos à universidade onde estuda; e viajou, há um mês, para acampamento. Diz manter relações sexuais sem uso de preservativos, com parceiros e parceiras desconhecidos. O exame físico era normal, com excessão de presença de icterícia ++/4+ e fígado palpável a três centímetros do rebordo costal direito; baço impalpável. Foram solicitadas dosagens de aminotransferases, que se mostraram muito elevadas (> 1000 UI/mL) e marcadores sorológicos virais das hepatites determinaram que o paciente era carreador crônico do vírus da hepatite B e apresentava, também, hepatite viral aguda pelo vírus da hepatite
HBsAg(+) + Anti-HBc IgG(+) + Anti-HBc IgM(-) = Portador Crônico HBV; Anti-HAV IgM(+) = Hepatite A Aguda.
A superinfecção por HAV em portadores crônicos de HBV manifesta-se com elevação acentuada de transaminases e requer identificação de marcadores de fase aguda (IgM) para o novo vírus.
A interpretação de sorologias de hepatites virais é um pilar fundamental na infectologia e gastroenterologia. No caso de um portador crônico de Hepatite B (HBsAg reativo e Anti-HBc IgG reativo), o surgimento de sintomas agudos e aminotransferases acima de 1000 UI/L exige a exclusão de superinfecções por outros vírus (A, D ou E) ou reativação do próprio HBV. A epidemiologia da paciente, com histórico de alimentação em locais com higiene precária e viagem recente, direciona fortemente para o vírus da hepatite A (HAV), transmitido pela via fecal-oral. O diagnóstico de Hepatite A aguda requer a positividade do Anti-HAV IgM. É crucial entender que o Anti-HBc IgM negativo descarta uma hepatite B aguda ou uma exacerbação grave da forma crônica, apontando para uma causa externa de lesão hepatocitária aguda, confirmada pela sorologia para HAV.
A diferenciação baseia-se principalmente no marcador Anti-HBc. Na fase aguda, o Anti-HBc da classe IgM está presente, geralmente em títulos elevados, indicando contato recente. Na fase crônica, o HBsAg persiste por mais de seis meses e o Anti-HBc presente é da classe IgG, enquanto o IgM torna-se não reativo. A presença de HBsAg isolado não define agudicidade sem a avaliação do Anti-HBc IgM, que é o marcador de lesão aguda pelo HBV.
A aversão súbita ao tabaco, conhecida como sinal de Hoagland, é um sintoma clássico e altamente sugestivo de hepatite viral aguda. Ocorre frequentemente na fase prodrômica da doença, juntamente com sintomas inespecíficos como mal-estar, náuseas, anorexia e febre baixa, precedendo a fase ictérica e a colúria. É um achado clínico valioso para o diagnóstico diferencial de síndromes febris ictéricas.
O diagnóstico de Hepatite A aguda é confirmado pela presença de anticorpos da classe IgM contra o vírus da hepatite A (Anti-HAV IgM). O Anti-HAV IgG indica imunidade, seja por infecção prévia ou vacinação, e pode estar presente simultaneamente ao IgM no início do quadro clínico. Em adultos, a infecção costuma ser sintomática e pode apresentar elevações de aminotransferases acima de 1000 UI/L.
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