UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2021
Paciente, 50 anos, comparece a consulta ambulatorial devido a quadro de síndrome edemigênica, associada a ascite, icterícia, telangiectasias e pressão arterial 100/60 mmHg. Trouxe alguns exames já realizados há 12 meses: HBsAg reagente, anti-HBs não reagente, anti-HBc IgG reagente, anti-HBc IgM não reagente, anti-HCV não reagente, anti-HIV não reagente, FAN não reagente, ceruloplasmina dentro dos limites de normalidade, anti-Ro e anti-La normais, proteinúria de 24 horas com 8g, albumina sérica 2g/dl, urina EAS sem hematúria, 3+ de proteinúria, creatinina 0,6 mg/dl. Mais provavelmente, o quadro clínico deve-se a
HBsAg+, anti-HBc IgG+, síndrome edemigênica, proteinúria nefrótica → Cirrose por Hepatite B + Glomerulopatia membranosa.
O paciente apresenta sinais de cirrose (ascite, icterícia, telangiectasias, hipotensão) e evidência laboratorial de hepatite B crônica (HBsAg reagente, anti-HBc IgG reagente). A síndrome edemigênica com proteinúria nefrótica (8g/24h, albumina 2g/dL) e creatinina normal sugere uma glomerulopatia, sendo a membranosa a mais comum associada à hepatite B crônica.
A hepatite B crônica é uma infecção viral que pode levar a complicações hepáticas graves, como cirrose e carcinoma hepatocelular. Além das manifestações hepáticas, o vírus da hepatite B (HBV) pode causar diversas manifestações extra-hepáticas, sendo as renais uma das mais importantes. A síndrome edemigênica, ascite, icterícia e telangiectasias no paciente indicam um quadro de cirrose hepática descompensada. A presença de HBsAg reagente e anti-HBc IgG reagente, com anti-HBs não reagente, confirma a infecção crônica pelo HBV. A proteinúria de 24 horas de 8g e a albumina sérica de 2g/dL, sem hematúria significativa e com creatinina normal, caracterizam uma síndrome nefrótica. Entre as glomerulopatias associadas à hepatite B crônica, a glomerulopatia membranosa é a mais frequentemente encontrada em adultos, causada pela deposição de imunocomplexos contendo antígenos virais nos glomérulos. O manejo desses pacientes envolve o tratamento da hepatite B crônica, o controle das complicações da cirrose e o tratamento específico da glomerulopatia. O reconhecimento da associação entre hepatite B e glomerulopatia é crucial para um diagnóstico e tratamento adequados, melhorando o prognóstico do paciente.
A cirrose descompensada pode se manifestar com ascite, icterícia, encefalopatia hepática, varizes esofágicas com sangramento, telangiectasias, eritema palmar e hipotensão arterial.
A hepatite B crônica pode levar a glomerulopatias por deposição de imunocomplexos, sendo a glomerulopatia membranosa a mais comum em adultos e a nefropatia por IgA em crianças.
A infecção crônica por Hepatite B é confirmada pela presença de HBsAg reagente por mais de 6 meses, associado a anti-HBc IgG reagente e anti-HBs não reagente.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo