Hepatite B Crônica: Rastreamento de Hepatocarcinoma

Claretiano - Centro Universitário de Rio Claro (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 49 anos de idade, assintomático, é encaminhado para avaliação de infecção pelo vírus da hepatite B (HBV). Ele tem histórico familiar de hepatite viral e seu pai foi tratado para hepatocarcinoma. O seu exame físico é normal. Exames séricos: hemograma, glicemia, função renal e coagulograma são normais; alanina aminotransferase: 21 U/L; aspartato aminotransferase: 23 U/L; bilirrubina: 0,6 mg/dL; fosfatase alcalina: 76 U/L. Sorologias para o HBV: HBsAg: positivo; HBeAg: negativo; anticorpo anti-HBe: positivo; DNA do vírus: 80 UI/mL. Anticorpo contra o vírus da hepatite C: negativo. A ultrassonografia abdominal mostra fígado de aparência normal. Nesse momento, a conduta correta é

Alternativas

  1. A) biópsia hepática.
  2. B) ultrassonografia abdominal a cada 6 meses.
  3. C) interferon peguilado.
  4. D) entecavir.
  5. E) tenofovir.

Pérola Clínica

HBV crônico HBeAg-, DNA baixo, ALT normal + risco HCC → USG abdominal 6/6 meses.

Resumo-Chave

Pacientes com infecção crônica por HBV na fase de portador inativo (HBsAg+, HBeAg-, anti-HBe+, DNA HBV baixo, ALT normal) geralmente não necessitam de tratamento antiviral imediato. Contudo, a vigilância para hepatocarcinoma (HCC) é fundamental, especialmente em homens >40 anos ou com histórico familiar de HCC, sendo a ultrassonografia abdominal a cada 6 meses a principal ferramenta de rastreamento.

Contexto Educacional

A infecção crônica pelo vírus da hepatite B (HBV) representa um desafio global de saúde pública, com um espectro clínico que varia desde o estado de portador inativo até a hepatite crônica ativa, cirrose e hepatocarcinoma (HCC). A história natural da infecção é complexa e influenciada por fatores virais e do hospedeiro. Pacientes na fase de portador inativo, caracterizados por HBsAg positivo, HBeAg negativo, anti-HBe positivo, DNA HBV baixo ou indetectável e transaminases normais, geralmente não apresentam inflamação hepática significativa e não necessitam de tratamento antiviral imediato. No entanto, mesmo na fase de portador inativo, o risco de desenvolvimento de HCC persiste, especialmente em subgrupos de alto risco, como homens acima de 40 anos e aqueles com histórico familiar de HCC. A fisiopatologia do HCC em pacientes com HBV envolve a integração do DNA viral no genoma do hospedeiro e a inflamação crônica, que promovem a instabilidade genômica e a proliferação celular. A vigilância ativa é, portanto, crucial para a detecção precoce do HCC, que, quando diagnosticado em estágios iniciais, apresenta melhores opções terapêuticas e prognóstico. A conduta para o paciente descrito, com HBsAg+, HBeAg-, anti-HBe+, DNA HBV baixo, ALT normal e USG normal, mas com histórico familiar de HCC, deve focar na vigilância. O tratamento antiviral não é indicado neste momento. A principal estratégia de rastreamento para HCC é a ultrassonografia abdominal a cada 6 meses, que permite identificar nódulos hepáticos suspeitos. Essa abordagem permite intervir precocemente, seja por ressecção cirúrgica, ablação ou transplante, melhorando significativamente a sobrevida desses pacientes.

Perguntas Frequentes

Quando o tratamento antiviral é indicado para hepatite B crônica?

O tratamento antiviral é geralmente indicado para pacientes com hepatite B crônica que apresentam evidência de replicação viral ativa (DNA HBV elevado), inflamação hepática (ALT elevada) ou fibrose/cirrose, independentemente do status HBeAg.

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de hepatocarcinoma em pacientes com HBV?

Os principais fatores de risco incluem cirrose hepática, idade avançada (>40-50 anos), sexo masculino, histórico familiar de HCC, alta carga viral persistente e genótipo C do HBV.

Qual a frequência recomendada para a ultrassonografia abdominal no rastreamento de HCC?

Para pacientes com hepatite B crônica e fatores de risco para HCC, a ultrassonografia abdominal deve ser realizada a cada 6 meses, combinada ou não com a dosagem de alfa-fetoproteína.

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