UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020
Paciente do sexo masculino, de trinta e cinco anos de idade, procurou atendimento médico devido a achado de hepatite viral em screening de doação de sangue. Ele apresentava a seguinte sorologia: AgHBs positivo, anti-HBc total positivo, anti-HBs negativo, AgHBe negativo e anti-HBe positivo. Enzimas hepáticas normais e ultrassonografia de abdome sem alterações. Com relação a esse caso clínico, julgue o item que se segue. Na anamnese desse paciente, é importante investigar a existência de familiares (irmãos, pais) com história de hepatite ou cirrose hepática, além de questioná-lo se esposa e filhos foram submetidos a exames para diagnóstico de hepatite B.
HBsAg+ por > 6 meses = Hepatite B Crônica; rastrear contatos domiciliares e sexuais é mandatório.
O diagnóstico de Hepatite B em um indivíduo exige a investigação ativa de contatos próximos (familiares e parceiros) para identificar portadores assintomáticos e prevenir a cadeia de transmissão.
A Hepatite B é uma infecção dinâmica que exige monitoramento contínuo. O caso descreve um paciente com marcadores de baixa replicação viral (HBeAg negativo) e ausência de agressão hepática atual (ALT/AST normais). No entanto, esses pacientes ainda podem apresentar reativação viral ou progressão para cirrose e carcinoma hepatocelular ao longo das décadas. A investigação epidemiológica é um pilar da saúde pública; identificar a fonte da infecção (muitas vezes a mãe) ou potenciais receptores (filhos e parceiros) é crucial para interromper a transmissão e garantir o tratamento precoce, reduzindo a carga da doença na população.
Este perfil sugere uma infecção crônica pelo HBV que pode ser classificada como uma infecção crônica HBeAg-negativa (antigamente chamada de estado de portador inativo). O HBsAg positivo indica infecção, o anti-HBc total positivo confirma exposição prévia (não sendo apenas vacinal), e o HBeAg negativo com anti-HBe positivo indica baixa replicação viral, corroborada pelas enzimas hepáticas normais.
A Hepatite B possui vias de transmissão parenteral, sexual e vertical. Frequentemente, a infecção é adquirida no nascimento ou na infância (transmissão horizontal intrafamiliar), o que confere um risco de até 90% de cronificação. Testar pais, irmãos, cônjuges e filhos permite identificar outros infectados que necessitam de acompanhamento e vacinar aqueles que são suscetíveis.
Todos os contatos domiciliares e sexuais devem realizar triagem sorológica (HBsAg, anti-HBc total e anti-HBs). Se forem suscetíveis (todos os marcadores negativos), devem iniciar o esquema vacinal imediatamente. Se forem HBsAg positivos, devem ser encaminhados para avaliação de estadiamento da doença hepática e necessidade de tratamento.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo