SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2021
Um jovem de 18 anos foi diagnosticado como portador do vírus da hepatite B, de aquisição provavelmente via transmissão materno-fetal. Seus exames mostram HBsAg positivo, HBeAg positivo, enzimas hepáticas normais e carga viral de 2.000.000 UI/mL.Assinale a alternativa CORRETA com relação ao caso.
Hepatite B crônica HBeAg+, carga viral alta, ALT normal (jovem) → fase de imunotolerância → não tratar, monitorar.
A fase de imunotolerância na hepatite B crônica é comum em pacientes jovens com infecção perinatal. Caracteriza-se por HBsAg e HBeAg positivos, carga viral de HBV elevada, mas com enzimas hepáticas (ALT) normais e pouca ou nenhuma inflamação hepática, não indicando tratamento antiviral imediato.
A infecção crônica pelo vírus da hepatite B (HBV) é um problema de saúde global, com milhões de pessoas afetadas. A transmissão materno-fetal é uma das principais vias de aquisição, especialmente em regiões de alta endemicidade. A história natural da infecção crônica por HBV é complexa e dividida em fases distintas, sendo a fase de imunotolerância uma das mais importantes para residentes compreenderem. A fase de imunotolerância é tipicamente observada em indivíduos que adquiriram o vírus verticalmente (transmissão materno-fetal) e são jovens. Caracteriza-se pela presença de HBsAg e HBeAg positivos, alta carga viral de HBV (DNA-HBV > 20.000 UI/mL), mas com níveis de alanina aminotransferase (ALT) normais e mínima ou nenhuma inflamação e fibrose hepática. A fisiopatologia reflete uma resposta imune 'tolerante' ao vírus, onde o sistema imune não ataca as células hepáticas infectadas. Nesta fase, o risco de progressão para cirrose ou carcinoma hepatocelular é baixo, e o tratamento antiviral não é recomendado, pois a taxa de resposta é baixa e os benefícios não superam os riscos. O manejo consiste em monitoramento periódico da função hepática, marcadores virais e carga viral. A transição para a fase de imunoativação, marcada pela elevação da ALT, é o momento de considerar a terapia antiviral. É crucial que os residentes saibam diferenciar as fases para evitar tratamentos desnecessários e otimizar o acompanhamento.
As fases são: imunotolerância, imunoativação (HBeAg positivo), inativa (HBeAg negativo), reativação (HBeAg negativo) e HBsAg negativo (cura funcional), cada uma com características distintas de replicação viral e inflamação.
Nesta fase, o sistema imune do paciente tolera o vírus, resultando em pouca inflamação hepática e baixo risco de progressão da doença, apesar da alta replicação viral. O tratamento antiviral não é eficaz e não é recomendado devido aos riscos e custos.
O tratamento é indicado na fase de imunoativação, quando há HBeAg positivo, carga viral elevada E ALT elevada (persistente ou intermitente), indicando inflamação hepática significativa e risco de progressão da doença.
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