UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2020
Em relação às endocrinopatias associadas à infecção crônica pelo vírus da hepatite C (VHC), considere as afirmativas a seguir. I. A infecção crônica pelo VHC acarreta aumento da resistência à insulina e do risco de diabetes mellitus tipo 2.II. A presença de diabetes mellitus tipo 2, nos pacientes portadores de hepatite pelo vírus C, aumenta o risco de evolução para cirrose hepática. III. A infecção crônica pelo VHC está associada ao aumento do risco de hipotireoidismo por fibrose tireoidiana de etiologia não imunológica. IV. Não há evidências de aumento do risco de carcinoma papilífero na doença tireoidiana relacionada à infecção crônica pelo VHC. Assinale a alternativa correta.
VHC crônica ↑ resistência à insulina e DM2; DM2 em VHC ↑ risco de cirrose.
A infecção crônica pelo VHC está fortemente associada ao aumento da resistência à insulina e, consequentemente, ao maior risco de desenvolver diabetes mellitus tipo 2. A presença de DM2 em pacientes com hepatite C, por sua vez, acelera a progressão da doença hepática para cirrose, destacando a importância do rastreamento e manejo de ambas as condições.
A infecção crônica pelo vírus da hepatite C (VHC) é uma condição sistêmica que vai além do fígado, com diversas manifestações extra-hepáticas, incluindo um espectro de endocrinopatias. A compreensão dessas associações é vital para residentes, pois impacta o manejo clínico e o prognóstico dos pacientes. A prevalência de diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é significativamente maior em pacientes com VHC, e essa comorbidade acelera a progressão da doença hepática. A fisiopatologia da resistência à insulina no VHC envolve mecanismos complexos, como a ação direta do vírus nos hepatócitos e adipócitos, indução de inflamação crônica e estresse oxidativo, e alterações na sinalização da insulina. O diagnóstico precoce e o manejo do DM2 são cruciais, pois a hiperglicemia e a resistência à insulina contribuem para a fibrogênese hepática. Além disso, o VHC também está associado a tireoidopatias, principalmente de natureza autoimune, e há evidências de um risco aumentado de carcinoma papilífero de tireoide. O tratamento da infecção pelo VHC com antivirais de ação direta (DAAs) pode melhorar a resistência à insulina e, em alguns casos, até levar à remissão do DM2. O manejo dessas endocrinopatias em pacientes com VHC deve ser integrado, com rastreamento regular de DM2 e tireoidopatias, e tratamento otimizado para ambas as condições, visando melhorar o prognóstico hepático e a qualidade de vida geral do paciente. A vigilância para carcinoma papilífero de tireoide também deve ser considerada.
A infecção crônica pelo vírus da hepatite C (VHC) induz um estado de inflamação sistêmica e estresse oxidativo que contribui para o desenvolvimento de resistência à insulina. Essa resistência pode ocorrer mesmo em pacientes sem cirrose e é um fator de risco para o desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2.
Em pacientes com hepatite C, a presença de diabetes mellitus tipo 2 (DM2) acelera a progressão da fibrose hepática e aumenta o risco de desenvolvimento de cirrose e carcinoma hepatocelular. O controle glicêmico adequado é crucial para retardar a progressão da doença hepática.
Sim, a infecção crônica pelo VHC está associada a um risco aumentado de tireoidopatias, principalmente de etiologia autoimune, como a tireoidite de Hashimoto. Há também evidências que sugerem um risco elevado de carcinoma papilífero de tireoide em pacientes com VHC, o que justifica a vigilância.
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