Hepatite B Crônica: Interpretação de Marcadores e Fases

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2015

Enunciado

As hepatites virais são importantes entidades nosológicas consideradas em muitos lugares como doenças de saúde pública. Quanto ao assunto, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Paciente que há oito meses vem evoluindo com positividade para HBsAg, HBeAg, anti- HBc IgG e transaminases quatro vezes acima de seu valor normal caracteriza quadro de hepatite crônica em fase replicativa.
  2. B) A hepatite A pode em situações pouco comuns ser transmitida por via parenteral, contudo altas taxas de viremia são verificadas nas fezes, urina e saliva, o que confere maior risco de transmissão oral-fecal.
  3. C) A hepatite delta é endêmica na região amazônica, particularmente na área ocidental, e os quadros de superinfecção são geralmente mais graves e induzem a maiores taxas de cronicidade. 
  4. D) A hepatite E é endêmica no Oriente Médio, considerada como uma zoonose por infectar bovinos, apresenta risco maior para pacientes gestantes, elevando as taxas de prematuridade e natimortos. 
  5. E) Em alguns raros casos, a hepatite A pode cronificar, mantendo Anti-HAV IgM e IgG positivos por mais de 1 ano, determinando evolução para cirrose e suas complicações, à semelhança da hepatite B e C.

Pérola Clínica

HBsAg+ > 6 meses + HBeAg+ + anti-HBc IgG+ + transaminases elevadas = Hepatite B crônica em fase de replicação ativa.

Resumo-Chave

A presença de HBsAg por mais de seis meses define a cronicidade da infecção por Hepatite B. Se acompanhada de HBeAg positivo e transaminases elevadas, indica fase de replicação viral ativa, com alta infectividade e risco de progressão para doença hepática.

Contexto Educacional

As hepatites virais representam um desafio significativo de saúde pública globalmente. A hepatite B crônica, em particular, afeta milhões de pessoas e pode levar a cirrose, insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular. A infecção é definida como crônica pela persistência do HBsAg por mais de seis meses. A história natural da hepatite B crônica é complexa e dividida em fases, baseadas na interação entre o vírus e o sistema imunológico do hospedeiro. A fase de replicação ativa (ou fase imunoativa) é caracterizada pela presença de HBsAg e HBeAg positivos, altos níveis de DNA do HBV e transaminases elevadas (ALT/AST), indicando inflamação hepática e dano celular. Nesta fase, o paciente é altamente infeccioso e tem maior risco de progressão da doença.. A interpretação dos marcadores sorológicos é crucial para o diagnóstico e manejo. HBsAg positivo por > 6 meses confirma cronicidade. HBeAg positivo indica replicação viral ativa. Anti-HBc IgG positivo indica infecção prévia ou atual. Níveis elevados de transaminases refletem dano hepatocelular. O tratamento antiviral é indicado para pacientes na fase imunoativa para suprimir a replicação viral, reduzir a inflamação e prevenir a progressão da doença hepática.

Perguntas Frequentes

O que significa HBsAg positivo por mais de seis meses?

A persistência do HBsAg (Antígeno de Superfície da Hepatite B) por mais de seis meses é o critério diagnóstico para infecção crônica pelo vírus da hepatite B (HBV), indicando que o paciente é um portador crônico.

Qual a importância do HBeAg na hepatite B crônica?

O HBeAg (Antígeno e da Hepatite B) indica replicação viral ativa e alta infectividade. Sua presença, juntamente com transaminases elevadas, sugere hepatite B crônica em fase imunoativa, que geralmente requer tratamento antiviral.

Como o anti-HBc IgG se encaixa na interpretação da hepatite B crônica?

O anti-HBc IgG (Anticorpo contra o Antígeno do Core da Hepatite B, classe IgG) indica contato prévio com o vírus da hepatite B e persiste por toda a vida. Em um paciente com HBsAg positivo, sua presença confirma a infecção crônica.

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