UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2020
Paciente feminina de 32 anos chega ao ambulatório de especialidade, procedente do interior do Estado, casada, trazendo o seguinte resultado de sorologia realizado por ter participado de uma campanha de diagnóstico das hepatites virais em seu município: - Teste rápido para HBsAg reagente; teste rápido para o anti-HCV não reagente. O médico da estratégia de saúde da família de seu município ampliou a investigação após esses resultados, solicitando os seguintes exames: HBeAg não reagente, anti-HBe reagente, testes bioquímicos hepáticos dentro dos parâmetros de normalidade e ultrassonografia abdominal superior dentro dos padrões normais. A conduta que se deveria tomar a seguir seria solicitar o(a):
HBsAg+, HBeAg-, anti-HBe+ com ALT normal → solicitar HBV-DNA para diferenciar portador inativo de hepatite B crônica.
Em pacientes com HBsAg reagente, HBeAg não reagente e anti-HBe reagente, com enzimas hepáticas normais, a quantificação do HBV-DNA é essencial para avaliar a replicação viral e diferenciar um portador inativo de uma hepatite B crônica em fase de baixa replicação, o que impacta diretamente na necessidade de tratamento e acompanhamento.
A infecção crônica pelo vírus da hepatite B (HBV) é um problema de saúde global, com um espectro clínico que varia desde o estado de portador inativo até a hepatite crônica ativa, cirrose e carcinoma hepatocelular. A interpretação da sorologia da hepatite B é fundamental para o manejo adequado. A presença do HBsAg por mais de seis meses define a infecção crônica. O HBeAg e o anti-HBe são marcadores que indicam a replicação viral e a imunotolerância ou imunoativação. No caso apresentado, a paciente tem HBsAg reagente, HBeAg não reagente e anti-HBe reagente, com enzimas hepáticas normais e ultrassonografia sem alterações. Essa combinação sugere uma fase de hepatite B crônica com HBeAg negativo ou, mais comumente, um estado de portador inativo. No entanto, mesmo em portadores inativos, pode haver replicação viral baixa que, ao longo do tempo, pode levar a dano hepático. Portanto, a próxima etapa crucial é a quantificação do HBV-DNA. Este exame mede a carga viral e é o marcador mais direto da replicação do vírus. Um HBV-DNA indetectável ou muito baixo, associado a enzimas hepáticas normais, confirmaria o estado de portador inativo, que requer apenas acompanhamento regular. Um HBV-DNA detectável, mesmo que baixo, pode indicar a necessidade de monitoramento mais rigoroso ou até mesmo tratamento, dependendo dos níveis e da evolução. Biópsia ou elastografia hepática seriam consideradas em etapas posteriores, se houver evidência de atividade viral ou dano hepático.
O HBV-DNA quantitativo é o marcador mais importante da replicação viral do vírus da hepatite B. Ele determina a carga viral e é crucial para estadiar a doença, monitorar a resposta ao tratamento e diferenciar as fases da infecção crônica, como portador inativo ou hepatite B crônica.
Essa combinação sorológica geralmente indica uma fase de hepatite B crônica com HBeAg negativo ou a fase de portador inativo. Nesses casos, o vírus não está replicando ativamente (HBeAg negativo), mas o HBsAg ainda está presente, indicando infecção crônica.
A biópsia hepática ou a elastografia são indicadas para avaliar o grau de fibrose e inflamação hepática em pacientes com hepatite B crônica, especialmente quando há dúvidas sobre a necessidade de tratamento ou para monitorar a progressão da doença. No entanto, a quantificação do HBV-DNA precede esses exames para determinar a atividade viral.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo