Hepatite D: Coinfecção vs. Superinfecção e Diagnóstico

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2025

Enunciado

O vírus da hepatite D pode ser transmitido pelo sangue, via sexual ou fômites contaminados. É considerado defectivo por necessitar da infecção simultânea pelo vírus da hepatite B. A coinfecção é a infecção simultânea pelos vírus B e D e a superinfecção é a infecção pelo vírus D em paciente portador de hepatite B crônica. Assinale a alternativa que indica o exame que consegue diferenciar a coinfecção da superinfecção.

Alternativas

  1. A) Detecção de anti-HDV total.
  2. B) Presença de HbsAg positivo.
  3. C) Presença de anti-HBc IgM positivo.
  4. D) Detecção do HDV-RNA por RT-PCR.

Pérola Clínica

Diferenciar coinfecção de superinfecção por HDV → anti-HBc IgM: POSITIVO na coinfecção, NEGATIVO na superinfecção.

Resumo-Chave

A coinfecção por HDV e HBV ocorre simultaneamente, resultando em uma resposta imune aguda ao HBV, evidenciada pela presença de anti-HBc IgM. Na superinfecção, o paciente já tem HBV crônico, então o anti-HBc IgM é negativo, e o anti-HBc total (IgG) é positivo.

Contexto Educacional

A hepatite D é uma infecção viral peculiar, pois o vírus HDV é defectivo e requer a presença do HBsAg do vírus da hepatite B (HBV) para sua replicação e transmissão. Isso significa que a infecção por HDV só ocorre em indivíduos que já estão infectados ou são coinfectados com HBV. A distinção entre coinfecção (infecção simultânea por HBV e HDV) e superinfecção (infecção por HDV em um portador crônico de HBV) é clinicamente relevante devido às diferenças no curso da doença e no prognóstico. A coinfecção geralmente resulta em uma hepatite aguda mais grave, mas com maior taxa de eliminação do vírus e menor risco de cronicidade em comparação com a superinfecção. Na superinfecção, o HDV infecta um fígado já cronicamente doente, levando a uma progressão mais rápida para cirrose e carcinoma hepatocelular. O diagnóstico diferencial é feito principalmente através dos marcadores sorológicos do HBV, em particular o anti-HBc IgM. Para a prova de residência e a prática clínica, é fundamental compreender a interpretação dos marcadores sorológicos da hepatite B e D. A presença de anti-HBc IgM indica uma infecção aguda pelo HBV, sendo o marcador chave para identificar a coinfecção. A ausência de anti-HBc IgM em um paciente com HBsAg e anti-HDV positivos sugere superinfecção em um portador crônico de HBV. O HDV-RNA por RT-PCR confirma a replicação viral do HDV, mas não diferencia os dois cenários de infecção inicial.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do anti-HBc IgM no diagnóstico da hepatite D?

O anti-HBc IgM é crucial para diferenciar a coinfecção da superinfecção por hepatite D. Sua presença indica uma infecção aguda recente pelo vírus da hepatite B, característica da coinfecção simultânea com o vírus D.

Como a coinfecção por HDV e HBV se manifesta laboratorialmente?

Na coinfecção, o paciente apresenta HBsAg positivo, anti-HDV total positivo e, mais importante, anti-HBc IgM positivo, indicando infecção aguda recente pelo HBV.

Quais são os marcadores esperados na superinfecção por HDV?

Na superinfecção, o paciente já é portador crônico de HBV. Assim, terá HBsAg positivo, anti-HDV total positivo, mas o anti-HBc IgM será negativo (ou indetectável), enquanto o anti-HBc total (IgG) será positivo.

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