Hepatite Autoimune: Diagnóstico em Insuficiência Hepática Aguda

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2024

Enunciado

Jovem, sexo feminino, 18 anos, procura atendimento devido quadro de icterícia que notou há 2 dias. Vinha investigando há 2 semanas quadro de dor abdominal em hipocôndrio direito que irradiava para o dorso. Relata muita sonolência. Nega uso de qualquer tipo de medicação ou fitoterápico. Tem USG de abdome recente sem alterações. Ao exame físico Glasgow 15, nota-se icterícia 4+/4, abdome doloroso em hipocôndrio e epigástrio, Murphy e DB negativos. Flapping negativo. Edema 2+/4 em MMII. Exames da admissão:Sorologias: HBsAg: não reagente; Anti-HBs: reagente; Anti-HBc total: reagente; Anti-HCV: não reagente; Anti-HAV IgM: não reagente; anti-HAV IgG: reagente.A melhor conduta para essa paciente seria:

Alternativas

  1. A) Fazer novo exame de imagem, pois icterícia tem padrão obstrutivo.
  2. B) Iniciar tratamento com tenofovir para hepatite B aguda grave.
  3. C) Prescrever sintomáticos, paciente encontra-se em curso de hepatite A.
  4. D) Investigar sangramentos espontâneos e solicitar FAN, anti-KLM1 e AML.

Pérola Clínica

Icterícia + insuficiência hepática aguda + sorologias virais negativas → suspeitar hepatite autoimune.

Resumo-Chave

Em um quadro de icterícia e sinais de insuficiência hepática aguda, com exclusão de causas virais e obstrutivas comuns, a investigação de hepatite autoimune com marcadores como FAN, anti-KLM1 e AML é crucial. A sonolência e o edema sugerem disfunção hepática significativa.

Contexto Educacional

A hepatite autoimune é uma doença inflamatória crônica do fígado, de etiologia desconhecida, caracterizada pela presença de autoanticorpos, hipergamaglobulinemia e resposta favorável à imunossupressão. Embora seja crônica, pode apresentar-se como hepatite aguda grave ou insuficiência hepática aguda, especialmente em jovens. É crucial considerá-la no diagnóstico diferencial de icterícia e disfunção hepática quando outras causas comuns, como as hepatites virais (A, B, C) e obstrução biliar, são excluídas. O diagnóstico da hepatite autoimune baseia-se na combinação de achados clínicos, laboratoriais (elevação de transaminases, hipergamaglobulinemia, autoanticorpos como FAN, AML, anti-LKM1) e histopatológicos. A exclusão de outras etiologias é fundamental. A apresentação aguda pode ser grave, com risco de falência hepática fulminante, exigindo rápida investigação e início de tratamento. O tratamento da hepatite autoimune geralmente envolve corticosteroides, com ou sem azatioprina, visando a remissão da doença e prevenção da progressão para cirrose. Em casos de insuficiência hepática aguda grave, o transplante hepático pode ser a única opção. A monitorização dos autoanticorpos e da função hepática é essencial para guiar a terapia e avaliar a resposta.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais marcadores para investigar hepatite autoimune?

Os principais marcadores são o Fator Antinúcleo (FAN), anticorpos anti-músculo liso (AML) e anticorpos anti-microssomos de fígado e rim tipo 1 (anti-LKM1).

Como diferenciar hepatite autoimune de outras causas de insuficiência hepática aguda?

A diferenciação envolve a exclusão de causas virais, tóxicas e obstrutivas, além da presença de autoanticorpos e, em alguns casos, biópsia hepática.

Quais sinais clínicos sugerem insuficiência hepática aguda em um paciente ictérico?

Sinais como encefalopatia (sonolência, alteração de Glasgow), coagulopatia (sangramentos espontâneos) e edema (ascite, hipoalbuminemia) indicam insuficiência hepática aguda.

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