MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Uma mulher de 28 anos apresenta fadiga persistente, artralgia e icterícia intermitente nos últimos 6 meses. Exames laboratoriais revelam AST 450 U/L, ALT 510 U/L, Bilirrubina Total 3.2 mg/dL (Direta 2.1) e uma marcante hipergamaglobulinemia policlonal ao eletroforese de proteínas. O rastreio para hepatites virais (A, B, C) e doenças metabólicas (ferro e cobre) é negativo, mas o Fator Antinuclear (FAN) é reagente 1:640 com padrão homogêneo. Uma biópsia hepática é realizada para confirmar a suspeita diagnóstica e avaliar o dano tecidual. Qual achado histopatológico reflete o mecanismo fisiopatológico primário de agressão hepatocitária e progressão desta patologia?
Diante de transaminases elevadas em mulheres jovens com elevação de gamaglobulinas, sempre solicite FAN e Anti-músculo liso para investigar Hepatite Autoimune.
A Hepatite Autoimune (HAI) é uma doença inflamatória crônica do fígado, de etiologia desconhecida, que atinge predominantemente mulheres jovens. O quadro clínico varia de fadiga insidiosa a insuficiência hepática aguda. Laboratorialmente, observa-se elevação acentuada de transaminases, hipergamaglobulinemia (especialmente IgG) e presença de autoanticorpos como FAN e anti-músculo liso. A biópsia hepática é essencial para o diagnóstico e estadiamento. O padrão histológico típico é a hepatite de interface, onde o infiltrado inflamatório ultrapassa a placa limitante e agride os hepatócitos periportais. A presença de numerosos plasmócitos nesse infiltrado é altamente sugestiva de HAI, embora não patognomônica. Outros achados podem incluir a formação de rosetas de hepatócitos e emperipolese. O tratamento baseia-se na imunossupressão, geralmente com corticosteroides isolados ou em associação com azatioprina. O objetivo é a remissão bioquímica e histológica para prevenir a progressão para cirrose e suas complicações. O reconhecimento precoce é vital, pois a resposta ao tratamento costuma ser excelente, alterando drasticamente o prognóstico da paciente.
Devido à ativação policlonal crônica de linfócitos B e plasmócitos em resposta à inflamação autoimune persistente.
São grupos de hepatócitos que se organizam em círculos na tentativa de se regenerar em meio ao processo inflamatório intenso.
A tipo 1 apresenta FAN e/ou anticorpo anti-músculo liso (mais comum em adultos); a tipo 2 apresenta anticorpos anti-LKM1 (mais comum em crianças e mais agressiva).
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