Hepatite Alcoólica Grave: Tratamento e Critérios de Gravidade

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem, 45 anos de idade, é levado ao pronto-socorro por hiporexia, náuseas e desconforto abdominal em hipocôndrio direito há 1 semana, evoluindo com ""amarelidão"" e febre há 3 dias. Etilista importante desde os 20 anos com última intoxicação alcoólica há 15 dias. Nega comorbidades e uso de outras substâncias. Nega relações sexuais desprotegidas no último ano. Ao exame físico, os sinais vitais estão normais, apresenta icterícia em escleras e frênulo lingual. O abdome está globoso, RHA presentes, flácido, doloroso à palpação de hipocôndrio direito com fígado palpável 3 cm abaixo do rebordo costal direito, sem sinais de peritonite. O restante do exame físico está normal. Realizou teste rápido para hepatites virais, todos não reagentes. Uma vez que o quadro do paciente foi classificado como grave, entre as opções de tratamento abaixo, a melhor é:

Alternativas

  1. A) Pentoxifilina.
  2. B) N-acetilcisteína.
  3. C) Prednisolona.
  4. D) Etanercepte.
  5. E) Infliximabe.

Pérola Clínica

Hepatite alcoólica grave (Maddrey ≥ 32) → Prednisolona 40mg/dia por 28 dias.

Resumo-Chave

Em pacientes com hepatite alcoólica aguda grave, o corticoide (prednisolona) é a primeira linha para reduzir a mortalidade a curto prazo, agindo na redução da resposta inflamatória sistêmica.

Contexto Educacional

A hepatite alcoólica é uma síndrome clínica inflamatória aguda que ocorre em indivíduos com consumo pesado e crônico de álcool. A fisiopatologia é marcada por uma intensa liberação de citocinas pró-inflamatórias, como o TNF-alfa, em resposta ao estresse oxidativo e à translocação bacteriana intestinal. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na tríade de icterícia, febre e dor em hipocôndrio direito, frequentemente acompanhada de leucocitose e relação AST/ALT > 2. O manejo terapêutico foca na interrupção do etilismo, suporte nutricional e, nos casos graves (Maddrey ≥ 32), na modulação da resposta imune. A prednisolona é o fármaco com maior evidência de benefício na sobrevida em 28 dias. A monitorização rigorosa de infecções secundárias é crucial, pois o estado de imunossupressão induzido pelo álcool e potencializado pelo corticoide aumenta o risco de complicações infecciosas graves.

Perguntas Frequentes

Como estratificar a gravidade na hepatite alcoólica?

O Índice de Maddrey (Função Discriminante) é o padrão-ouro, calculado pela fórmula: [4,6 x (Tempo de Protrombina do paciente - TP controle)] + Bilirrubina Total. Valores iguais ou superiores a 32 indicam quadro grave com alta mortalidade, justificando o início de corticoterapia se não houver contraindicações.

Qual a dose e tempo de tratamento com prednisolona?

A dose recomendada é de 40 mg/dia por via oral durante 28 dias. Após esse período, deve-se realizar um desmame gradual ao longo de 2 a 4 semanas. A resposta ao tratamento deve ser reavaliada no 7º dia através do Escore de Lille para decidir pela manutenção ou suspensão da droga.

Quais as principais contraindicações ao uso de corticoides?

As principais contraindicações incluem infecção bacteriana ou sepse ativa não controlada, hemorragia digestiva alta ativa, insuficiência renal grave (creatinina > 2,5 mg/dL), pancreatite aguda ou coinfecção por hepatites virais crônicas em atividade.

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