Hepatite Alcoólica Grave: Diagnóstico e Tratamento com Corticoides

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 48 anos, tabagismo (30 maços/ano) e etilismo (400-600 ml de aguardente/dia), vem ao pronto socorro por queixa de icterícia, febre, sonolência e períodos breves de confusão mental há 06 dias. Realizou no PS os seguintes exames laboratoriais: ALT 130 UI/L, AST 290 UI/L, Bilirrubina total 6,8 mg/dl, Bilirrubina direta 4 mg/dl, fosfatase alcalina 200 UI/L (VR: < 120), gama GT 915 (VR < 50),INR 1,9, leucócitos 15000/mm³. Não há foco infeccioso evidente. Com base na avaliação dos exames complementares, qual o diagnóstico mais provável e seu tratamento ?

Alternativas

  1. A) Cirrose hepática, vitamina K, lactulona e neomicina oral
  2. B) Hepatite alcoólica, corticoesteróide
  3. C) Hemocromatose, desferroxamina
  4. D) Colangite esclerosante, hidratação intravenosa, correção de distúrbios eletrolíticos associados, analgesia e antibioticoterapia.
  5. E) Pancreatite, jejum, hidratação e analgesia

Pérola Clínica

Hepatite alcoólica grave → Icterícia, encefalopatia, INR ↑, leucocitose. Tratamento: corticoesteroides.

Resumo-Chave

O quadro clínico e laboratorial (icterícia, encefalopatia, elevação de transaminases com AST/ALT > 2, GGT muito elevada, INR prolongado, leucocitose sem foco infeccioso) é altamente sugestivo de hepatite alcoólica grave em paciente etilista crônico. A corticoterapia é a base do tratamento para casos graves.

Contexto Educacional

Hepatite alcoólica é uma síndrome inflamatória hepática aguda que ocorre em pacientes com histórico de consumo excessivo de álcool, frequentemente sobreposta a doença hepática crônica. É uma condição grave, com alta mortalidade, caracterizada por icterícia, febre, dor abdominal, leucocitose e, em casos graves, encefalopatia hepática e coagulopatia. A identificação precoce é crucial para o manejo adequado. A fisiopatologia envolve inflamação hepática induzida pelo álcool, estresse oxidativo e disfunção mitocondrial. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com elevação de transaminases (AST/ALT > 2), bilirrubinas, GGT e INR. A biópsia hepática é o padrão-ouro, mas nem sempre necessária. Escore de Maddrey e MELD são usados para avaliar a gravidade e indicar tratamento. O tratamento da hepatite alcoólica grave inclui suporte nutricional, abstinência alcoólica e, para casos com escore de Maddrey discriminante ≥ 32 ou MELD ≥ 20, corticoesteroides (prednisolona) por 28 dias, seguidos de desmame. Pentoxifilina é uma alternativa para contraindicações aos corticoides. O prognóstico é reservado em casos graves, com alta taxa de mortalidade em 6 meses.

Perguntas Frequentes

Quais os principais sinais e sintomas da hepatite alcoólica grave?

Os principais sinais e sintomas incluem icterícia, febre, dor abdominal, náuseas, vômitos, e em casos graves, encefalopatia hepática (sonolência, confusão mental) e coagulopatia.

Como é feito o diagnóstico da hepatite alcoólica?

O diagnóstico é clínico e laboratorial, baseado no histórico de etilismo, icterícia, elevação de transaminases (AST/ALT > 2), bilirrubinas, GGT e INR. A biópsia hepática é o padrão-ouro, mas nem sempre é necessária.

Qual o papel dos corticoides no tratamento da hepatite alcoólica grave?

Os corticoides, como a prednisolona, são indicados para casos de hepatite alcoólica grave (avaliados por escores como Maddrey ou MELD) devido à sua potente ação anti-inflamatória, melhorando a sobrevida em curto prazo.

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