Hepatite Alcoólica Grave: Diagnóstico e Manejo com Corticosteroides

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 54 anos, etilista (500 mL de aguardente/dia), é trazido ao pronto-socorro por familiares após notarem icterícia e períodos breves de confusão mental há 6 dias. Na admissão, apresentava febre e sonolência. Os exames laboratoriais apresentam: ALT 230 UI/L; AST 390 UI/L; bilirrubina total 6,7 mg/dl; bilirrubina direta 3,9 mg/dl; fosfatase alcalina 250 UI/L (VR: < 120); gama GT 900 (VR < 50); INR 1,9; e leucócitos 1.7000/mm3. Não foram localizadas infecções. Com base na avaliação dos exames complementares, qual é o diagnóstico mais provável e seu tratamento?

Alternativas

  1. A) Cirrose hepática; vitamina K, lactulona e neomicina oral.
  2. B) Hepatite alcoólica; corticosteroide.
  3. C) Pancreatite; jejum, hidratação e analgésico.
  4. D) Colangite esclerosante; hidratação intravenosa, correção de distúrbios eletrolíticos associados, analgesia e antibioticoterapia.

Pérola Clínica

Etilista + icterícia + encefalopatia + AST/ALT > 1 + leucocitose → Hepatite alcoólica grave = Corticosteroide.

Resumo-Chave

O quadro clínico de um etilista crônico com icterícia, encefalopatia, febre, leucocitose e alterações laboratoriais como AST > ALT, GGT muito elevada e INR prolongado é altamente sugestivo de hepatite alcoólica grave. A ausência de infecção confirmada direciona o tratamento para corticosteroides, que são a terapia de escolha para casos graves.

Contexto Educacional

A hepatite alcoólica é uma síndrome inflamatória aguda do fígado que ocorre em indivíduos com histórico de consumo excessivo e prolongado de álcool. Caracteriza-se clinicamente por icterícia, febre, dor abdominal, náuseas, vômitos e, em casos graves, encefalopatia hepática e ascite. Laboratorialmente, observa-se elevação das transaminases (com AST geralmente maior que ALT), hiperbilirrubinemia, leucocitose e prolongamento do INR, refletindo a disfunção hepática e a resposta inflamatória sistêmica. O diagnóstico é primariamente clínico e laboratorial, em um paciente com histórico de etilismo. A biópsia hepática pode confirmar o diagnóstico, mostrando necrose hepatocelular, infiltrado inflamatório e corpos de Mallory, mas não é sempre realizada devido ao risco. A gravidade da hepatite alcoólica é avaliada por escores como o Maddrey Discriminant Function (DF) ou MELD, que auxiliam na decisão terapêutica. A presença de encefalopatia hepática ou um DF ≥ 32 indica doença grave e pior prognóstico. O tratamento da hepatite alcoólica grave envolve a abstinência alcoólica absoluta, suporte nutricional e, em casos selecionados, o uso de corticosteroides (geralmente prednisolona ou metilprednisolona) para reduzir a inflamação e melhorar a sobrevida. É crucial descartar infecções antes de iniciar a corticoterapia. Outras terapias, como pentoxifilina, têm eficácia controversa. O manejo das complicações, como encefalopatia e sangramento varicoso, é fundamental. Pacientes que não respondem aos corticosteroides podem ser considerados para transplante hepático em centros especializados.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para hepatite alcoólica?

Os critérios incluem história de etilismo pesado, icterícia, elevação de AST e ALT (geralmente AST > ALT, mas não necessariamente >2x), bilirrubina elevada, e frequentemente leucocitose e INR prolongado. A biópsia hepática é o padrão-ouro, mas nem sempre é necessária.

Quando os corticosteroides são indicados no tratamento da hepatite alcoólica?

Corticosteroides são indicados para casos de hepatite alcoólica grave, definidos por um escore de Maddrey Discriminant Function (DF) ≥ 32, ou MELD score ≥ 20, ou pela presença de encefalopatia hepática. Pacientes com infecção ativa ou sangramento gastrointestinal não devem receber corticosteroides.

Como a encefalopatia hepática se manifesta na hepatite alcoólica?

A encefalopatia hepática se manifesta por alterações neuropsiquiátricas, que variam de distúrbios leves de sono e concentração a confusão mental, desorientação, asterixe e, em casos graves, coma. É um sinal de disfunção hepática severa e pior prognóstico.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo