UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2020
Homem de 41 anos, com valores de AST de 563 U/L e ALT 501 U/L, realizou biópsia hepática, cujo resultado foi presença de vacúolos claros no citoplasma dos hepatócitos e estruturas hialinas irregulares em alguns deles, além de neutrófilos e necrose de hepatócitos isolados. A etiologia mais provável para esse conjunto de alterações é
Vacúolos claros + corpos de Mallory-Denk + neutrófilos + necrose hepatocitária → Hepatite alcoólica.
A hepatite alcoólica é uma forma grave de doença hepática alcoólica, caracterizada histologicamente por esteatose, inflamação com neutrófilos, necrose hepatocitária e a presença de corpos de Mallory-Denk (estruturas hialinas irregulares), que são agregados de filamentos intermediários. A elevação de AST e ALT é comum, com AST/ALT > 2 em muitos casos.
A hepatite alcoólica é uma manifestação aguda e grave da doença hepática alcoólica, resultante do consumo excessivo e prolongado de álcool. Sua importância clínica reside na alta morbimortalidade, sendo uma das principais causas de insuficiência hepática aguda em pacientes com histórico de etilismo. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para melhorar o prognóstico. A fisiopatologia envolve a toxicidade direta do álcool e seus metabólitos nos hepatócitos, levando a inflamação, necrose e fibrose. Clinicamente, os pacientes podem apresentar icterícia, febre, dor abdominal e hepatomegalia. Laboratorialmente, há elevação de transaminases (AST e ALT), com a relação AST/ALT frequentemente maior que 2, e bilirrubinas. O diagnóstico definitivo muitas vezes requer biópsia hepática, que revela esteatose, necrose hepatocitária, infiltrado neutrofílico e os característicos corpos de Mallory-Denk. O tratamento da hepatite alcoólica inclui a abstinência alcoólica absoluta, suporte nutricional e, em casos graves, corticosteroides ou pentoxifilina. O prognóstico é variável e depende da gravidade da doença e da resposta ao tratamento, sendo a abstinência o fator mais importante para a sobrevida a longo prazo.
A biópsia hepática na hepatite alcoólica revela esteatose (vacúolos claros), necrose hepatocitária, infiltrado inflamatório com neutrófilos e, classicamente, a presença de corpos de Mallory-Denk (estruturas hialinas irregulares).
Embora as transaminases estejam elevadas em outras hepatites, a hepatite alcoólica frequentemente apresenta uma relação AST/ALT > 2, além dos achados histopatológicos específicos como os corpos de Mallory-Denk e o infiltrado neutrofílico.
Os corpos de Mallory-Denk são agregados de filamentos intermediários no citoplasma dos hepatócitos e são um achado histopatológico característico, embora não patognomônico, da hepatite alcoólica, auxiliando no diagnóstico.
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